Regina Duarte, A Deusa Vencida

 

Na peça Muito Barulho por Nada, Shakespeare diz que “Uns nascem grandes; alguns adquirem a grandeza e a outros a grandeza vem ao encontro”. O príncipe Charles, da Inglaterra, já nasceu grande, não precisou fazer quase nada para ser quem é; Bill Gates, o homem mais rico do mundo, adquiriu a grandeza como empresário, fabricando softwares; já a atriz brasileira Regina Duarte, se enquadra na terceira assertiva: a grandeza veio ao encontro, já que não precisou fazer muito para ser a atriz mais amada do Brasil, por mais de cinquenta anos!

Regina Duarte é uma mulher abençoada por Deus, daquelas raras pessoas que nascem com carisma, predestinadas ao sucesso, a ser estrela. Regina não estudou muito a arte da interpretação, para chegar ao estrelato. Quando digo que não precisou fazer muito é porque ela é daquelas pessoas cheias de encanto pessoal, que brilham sem fazer muito esforço. Com suas dezenas de novelas e papéis memoráveis, Regina transformou-se no rosto mais conhecido da TV brasileira, desde 1968, como superstar da Rede Globo de Televisão, e suas novelas que dominam a TV brasileira.

Protagonista de papéis românticos, cômicos, como viúva Porcina, Simone (em Selva de Pedra), Malu (na série Malu Mulher), Clô Hayalla (segundo ela, seu maior papel), dona de um sorriso cativante, belo e acolhedor – ela parece estar sempre sorrindo –, ar maternal. Regina encarna a amiga, a irmã que queríamos ter, ou a nora que muitos pais desejam para seus filhos. Não foi à toa que ela recebeu o apelido, o título de Namoradinha do Brasil. Por que isso? Simplesmente porque o Brasil inteiro namora, ama a cativante Regina Duarte!

Com 73 anos de idade, Regina tem a aparência de uma mulher de 55 anos, no máximo, é “inteiraça” para usar um termo popular. Regina é mãe, avó, amada pelos brasileiros, grande atriz, enfim uma “mulher realizada”, que chegou à velhice coberta de glórias, e também de dinheiro, fruto dos seus 55 anos de carreira, recebendo altíssimos salários, até mesmo sem trabalhar! Perguntamos: “O que diabos essa mulher pode querer mais”?

Pois muito bem, não é que essa mulher encantadora, poderosa, idolatrada pelo povo, já caminhando para a cena final, não resolveu se “meter com o poder”, assumir o posto de Secretaria de Cultura, ministra, na verdade, do pior governo da história do Brasil!? Como isso é possível? Como que “alguém realizado”, que cumpriu sua missão, que interpretou tantos papéis, vai se meter com política, a mais difícil, incompreendida, perversa e suja das atividades humanas?! Exatamente na hora de descansar! E Regina nunca foi uma atriz de dar opiniões, ou fazer o tipo intelectual! Muita gente acha que foi ser ministra por busca por Poder. Tenho certeza que não foi!

Não foi preciso assistir a desastrada e horrorosa entrevista que Regina deu a Rede CNN – embora o entrevistador e os apresentadores fossem muito ruins – nos últimos dias, para que eu fizesse meu juízo. Eu já sabia que seria aquilo mesmo!

“Freud Explica”, quem não lembra dessa sentença usada à exaustão por quase um século! Pois muito bem, Regina Duarte é filha de um cearense oficial do exército brasileiro. Ou seja, a mesma ocupação de Jair Bolsonaro, o perverso que agora ocupa a presidência da República. Regina Duarte disse várias vezes que Bolsonaro lembra muito o seu pai. Daí, concluo e repito, Regina Duarte sofre de Complexo de Electra! Não encontro outra explicação para Regina Duarte sujar de sangue sua biografia! Perguntem aos psicanalistas!

Shakespeare diz em O Mercador de Veneza que “as mais brilhantes aparências podem encobrir vulgaridades”. Infelizmente, é isso que Regina Duarte é, e me dói muito dizer isso, uma mulher pobre de valores, insensível, de pouca inteligência, vulgar, e que não superou seu Complexo de Édipo! A atriz Regina Duarte é grande, nobre quando se transforma em Porcina, Malu, Simone… Mas é pequena e pobre quando é ela mesma, a mulher Regina Duarte! Ela representa a sentença de Iago, em Otelo “Eu não sou o que sou”. É curioso que o primeiro papel de Regina Duarte na televisão ocorreu em 1965, na novela A Deusa Vencida, na TV Excelsior. Pois não é que Regina resolveu terminar seus dias representando novamente esse mesmo papel! É isso, Regina Duarte  é a Deusa Vencida! Que tragédia!

Os Fascistas e as Marionetes

 

Quase nunca recorro à filosofia para justificar meus argumentos. Primeiro, porque conheço pouco de filosofia e, segundo, porque encontro na obra de Shakespeare conhecimento mais do que suficiente para abastecer meus textos sem precisar recorrer a Platão e Kant. No entanto, dessa vez, vou usar a dialética de Hegel – um admirador de Shakespeare – para falar sobre algo que está ocorrendo na política brasileira. A dialética de Hegel é óbvia, por isso genial. Para Hegel, uma coisa não pode existir sem o seu contrário, ou seja, as coisas não podem existir sem as outras. Daí que, para existir um escravo tem que haver um senhor; para existir patrão, tem que ter um empregado.

Então, vamos lá. As estatísticas afirmam que algo em torno de 10% do eleitorado brasileiro é de extrema direita, aproximadamente catorze milhões de eleitores, o suficiente para eleger cinquenta deputados federais. É um eleitorado que está disponível esperando que alguém o colha.

A extrema direita defende mais ou menos o seguinte: a pena de morte, que a sociedade deva andar armada, não ao auxílio financeiro para presos, prisão para menores acima de catorze anos. É contra o sistema de cotas, direitos das minorias,  programas assistenciais, vale gás, vale luz, e outros benefícios. Para resumir, é a “bancada da bala” – não somente por receber financiamento de fabricantes de armas, mas pelo extremo conservadorismo  – aqueles que dizem que “bandido bom é bandido morto”, paródia do slogan do velho oeste americano “um índio bom é um índio morto”.

A maioria desses parlamentares são policiais e militares, radialistas e evangélicos para-pentecostais. O representante mais famoso deles é o capitão do exército Jair Bolsonaro, do Rio de Janeiro, que já formou uma dinastia, tem um filho deputado estadual pelo Rio e outro deputado federal por São Paulo. A lista segue com Coronel Telhada, Alberto Fraga, Laerte Bessa, Pastor Marco Feliciano, Rogério Mendonça e outros.

Pois muito bem, todos esses parlamentares têm procurado antagonistas – provando a tese de Hegel – deputados que pensem o oposto deles. O que também não significa que os extremamente liberais não os chamem para a briga. Para isso, vale todo tipo de baixaria, chegando quase à agressão física. Assim, todos os holofotes da mídia vão para cima deles.

Jair Bolsonaro (DEM-RJ) escolheu Maria do Rosário (PT-RS e Jean Wyllys (PSOL-RJ) como seus contrários. Marco Feliciano PTB-SP também tem como antagonista Jean Willys. Alberto Fraga (DEM-DF) escolheu  Jandira Feghali (PCdoB-RJ). O ringue está formado. A extrema direita contra à esquerda. São duas mulheres e um ativista do movimento gay contra um capitão do exército, um pastor e um coronel da polícia.

Jair Bolsonaro, em discussão com Maria do Rosário, disse que “não estupro você porque você não merece” e vive às turras com Jean Wyllys. Marco Feliciano antagoniza com Wyllys por este fazer a defesa dos gays. Alberto Fraga disse para Jandira Feghali que “mulher que bate em homem tem que apanhar como homem). São declarações truculentas que estão na contramão da sociedade moderna. Mas a imprensa adora. E, nas redes sociais, principalmente facebook, as querelas “bombam” em centenas de milhares de visualizações e grupos de discussão, o sonho de qualquer parlamentar.

Não tenho dúvida alguma de que todas as agressões provocadas por esses parlamentares contra essas deputadas mulheres e contra um deputado homossexual são premeditadas e têm dia e hora para acontecer, e o objetivo é obter mídia e voto. Todos eles multiplicaram, praticamente dobraram suas votações nas eleições seguintes. Não posso deixar de citar o inexpressivo Levy Fidelix, candidato a Presidente da República, que, com sua grosseira declaração sobre os gays, multiplicou por vinte sua votação em relação a eleição anterior. A obscena declaração de Levy foi calculada em detalhes pelos marketeiros!

Este artigo é um recado para os ingênuos que atacam Bolsonaro e suas crias nas redes sociais. Em vez de enfraquecê-los, estão fortalecendo-os. O objetivo desses políticos extremistas é serem chamados de trogloditas, fascistas, nazistas, homofóbicos, misóginos, agressores de mulheres e coisas semelhantes. Querem que o Ministério Público os processe por suas agressões verbais. Eles sabem que os processos não vão dar em nada, no máximo uma multa que eles jamais pagarão. Suas agressões chegarão aos 10% de eleitores (percentual que está crescendo) que os aplaudirão por “enfrentarem os comunas”. Portanto, se querem combatê-los, e isso deve ser feito, façam-no em silêncio. De outra forma. Do jeito que o combate está sendo feito, vocês fazem o jogo deles e transformam-se em marionetes. Um bando de tolos. É isso!

Fascistas e Ignorantes

O mais correto era não escrever esse artigo. Simplesmente, porque tenho a certeza de que quanto mais você fala de alguém mais você o promove. Principalmente, se for um político cujas palavras e ações são preparadas exatamente para isso, promovê-lo. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sabe disso. Estou me referindo ao “affair” do momento, as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro que, em discussão com uma colega, deputada Maria do Rosário, disse que: “Não a estupraria, porque ela não merecia”. Com essa monstruosidade verbal, para dizer o mínimo, ele tornou-se o parlamentar mais badalado do Brasil. Recebeu críticas de todos os lados: imprensa, opinião pública, redes sociais, associações de mulheres, entidades, parlamentares, a sociedade em geral. Vários parlamentares pediram sua cassação.

Três dias depois, o capitão Jair Bolsonaro, satisfeito com a repercussão, corrigiu sua fala: “Não a estupraria por que ela é feia”. Mais mídia. O vídeo com a discussão com Maria do Rosário ultrapassou 630 mil visualizações no You Tube. E o assunto não sai da mídia. O PT, PSOL, PC do B e PSB pediram sua cassação e o MP representou contra ele. Bolsonaro mandou banana para todo mundo. Seu objetivo foi atingido, não sai do noticiário.

Jair Bolsonaro vai ser candidato a Presidente da República em 2018. Será o representante da extrema direita no pleito, e já está em campanha. Conta com os saudosos da ditadura militar.  Dizem que essa gente chega a representar 14% do povo brasileiro. Acho exagerado. Mas que esse povo tem crescido, isso tem. O deputado Jair Bolsonaro é um excelente marqueteiro e tem conseguido sistematicamente chamar pra si os holofotes da mídia com suas opiniões claramente fascistas. Sua votação tem dobrado a cada nova eleição, sendo que, nessa última, foi o deputado federal mais votado do Rio de janeiro – o Rio é a terra dos militares aposentados – com quase meio milhão de votos. Elegeu a filha vereadora, o filho deputado estadual, e a ex-mulher já cumpriu mandato de vereadora, todos com seu apoio.

Entre as polêmicas de Bolsonaro estão as seguintes: que se pegasse um filho fumando maconha, bateria nele; que índio é para comer capim; deu um soco na barriga do senador Randolfe Rodrigues e, talvez naquela que seja sua mais forte declaração, pediu o fuzilamento do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso e de mais 30 mil pessoas pela ditadura militar. É ainda a favor da tortura, da pena de morte, é contra sistema de cotas, de leis em defesa da mulher, contra os gays… enfim está na contramão da  sociedade moderna, e da democracia vigente no ocidente.

Jair Bolsonaro pensa assim mesmo. Mas suas declarações são puro marketing para impulsionar sua carreira política. E ele tem imitadores. O deputado Alberto Fraga, o deputado “pastor” Marco Feliciano, Levy Fidelyx e outros. Esses sujeitos, com suas bravatas medievais, dizendo-se em defesa da família e da moral cristã, ganham visibilidade e multiplicam seus votos. Marco Feliciano de um político “zero à esquerda” no parlamento, transformou-se no terceiro mais votado de São Paulo, atrás apenas de Tiririca e Celso Russomano. Levy Fidelyx teve quase meio milhão de votos para Presidente da República, depois de suas declarações grosseiras contra os homossexuais.

O que quero dizer é que quanto mais se fala, bate, nesses sujeitos, mais eles crescem. Jair Bolsonaro não vai ser cassado por causa de suas declarações. A Câmara não cassa ninguém por causa de bate boca ou de opiniões estúpidas e fascistas. O processo na justiça dificilmente dará em alguma coisa. Infelizmente, no Brasil é assim. Se fosse noutro país, Inglaterra, EUA, França, Bolsonaro jamais diria o que disse. Se o fizesse seria expulso do partido e perderia o mandato, sendo processado e condenado.

A turma que apoia Bolsonaro se divide entre os ultraconservadores, extremistas que defendem uma ditadura militar e um bando de tolos, ignorantes da classe média que nunca leram um único livro, e adoram declarações, tipo “bandido bom é bandido morto”! Pura ignorância. Mas perigosa, muito perigosa. Figuras como Bolsonaro devem ser expulsas da vida pública. Mas o Brasil não consegue fazer isso, lamentavelmente!