O Juiz e o vendedor de balinhas ago16

O Juiz e o vendedor de balinhas

O Juiz e o vendedor de balinhas Eu tinha acabado de ler, no site do Estadão, a notícia de que um juiz lotado num buraco do interior do Brasil tinha recebido um contracheque de 503 mil reais, quando um garoto passou correndo pendurando sacos com balinhas “por dois reais” nos retrovisores dos automóveis – eu estava parado no semáforo –, e uma senhora de uns 60 anos de idade me oferecia “cinco panos de chão alvejados) por dez reais. Era uma hora da tarde, sol escaldante, umidade baixíssima, um dia seco, daqueles que os brasilienses botam sangue pelo nariz. Confesso que lágrimas caíram dos meus olhos. Juro! Quando vi aquele...

Reflexões Shakespearianas sobre o Brasil ago08

Reflexões Shakespearianas sobre o Brasil

O personagem de Shakespeare adequado para falar do Brasil atual é Tersites, o sarcástico e implacável praguejador, de Tróilo e Créssida, a maior peça política do bardo. Estamos vivendo um momento tão louco e doentio, tão cruel, tão sombrio, que estão faltando, na verdade, sobrando, palavras para analisarmos o suicídio da classe política brasileira e, porque não dizer, da maioria das instituições brasileiras. O comportamento destrutivo e criminoso de nossos homens públicos é semelhante aos dos combatentes da Guerra de Tróia, cenário em que se dá a história de Shakespeare. Daí que só mesmo praguejando – já que...

A  Seleção Brasileira do STF jun29

A Seleção Brasileira do STF

Alguém disse que ninguém sabe o nome dos onze jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, mas que todo mundo sabe o nome dos onze juízes do Supremo Tribunal Federal. Verdade! Foi-se o tempo em que as novelas da Rede Globo, os filmes americanos e os jogos de futebol eram as principais atrações da televisão brasileira! Hoje, eles têm um forte concorrente: os julgamentos do STF, que ocorrem quase todos os dias. Três horas da tarde está todo mundo ligado, mergulhado na Internet, para assistir a mais um “jogo” do  STF X Sociedade. As pessoas não estão mais querendo saber somente de diversão: historinhas de amor, beijo na boca,...

A Liga dos Cabeças Brancas jun19

A Liga dos Cabeças Brancas

Esse artigo ia se chamar O Canalha da Cabeça Branca. Um excelente título, no entanto, acabei mudando-o, porque lembrei do conto de Sherlock Holmes, A Liga dos Cabeças Vermelhas! Fã apaixonado que sou, como quase todo mundo – são sessenta contos (quatro são consideradas novelas) – pelo  genial detetive inglês, conterrâneo de Shakespeare, não poderia deixar essa oportunidade passar em branco. Decidi parodiar esse título, porque é uma história sobre ladrões. E como o Brasil é um país de ladrões…Tem enredo melhor: corruptos brasileiros fazendo parte de uma trama de Sherlock Holmes! Legal, não é mesmo? A Liga...

Sobre Canalhas jun07

Sobre Canalhas

O dicionário Caldas Aulete define canalha como: “Sujeito que tem mau caráter, vil, desprezível, infame, reles, moral e socialmente desprezível”. Como podemos ver, são adjetivos devastadores! Mas, eu diria que ainda é pouco para definir o caráter dos canalhas brasileiros. “Olhai a vossa volta”! Vejam o que eles estão fazendo com o Brasil! Pergunto: será que os canalhas brasileiros podem ser classificados com esses pobres adjetivos? Será que esses adjetivos são suficientes? Digo que não. Um canalha é bem mais que isso, é mentiroso, safado, sórdido, farsante, depravado, pervertido, cara de pau, além de ladrão, é claro....

O Avarento maio07

O Avarento

Para Franz Kafka, “a avareza é a pior forma de solidão”. Shakespeare concordava com ele, tanto que, três séculos antes, criou, em O Mercador de Veneza, Shylock, um velho vingativo e avarento. A avareza de Shylock só é superada pelo seu ódio. O texto fala da autodestrutiva jornada percorrida por Shylock para mutilar ou mesmo matar Antônio, um comerciante veneziano que lhe pedira emprestado três mil ducados. Na sua ânsia por destruir Antônio, legalmente, pois encontra inicialmente respaldo na justiça, Shylock acabará se transformando em réu e aniquilando com sua fortuna, seu poder e sua fé! O que faz um homem riquíssimo,...

Meu Adeus a Belchior maio02

Meu Adeus a Belchior

Se tivesse que comparar Belchior com algum personagem de Shakespeare, precisaria de dois deles: Tímon de Atenas e o Rei Lear. O maior dos compositores cearenses – não se trata de exagero, ele o é, – afastou-se tudo e de todos e foi morar longe da cidade grande, como fizeram Tímon, por dívidas e traído pelos amigos, e o Rei Lear, enlouquecido pela ingratidão filial. Estive com Belchior em um fim de semana inteiro, em julho de 2003, trouxe-o, mediante contrato, a Brasília para fazer um show em comemoração ao aniversário de um amigo. Ele não me pareceu um artista que desse ouvidos a qualquer pessoa. Ficou no camarim bebendo...