Neymar Cai Cai

Pobre e infeliz Neymar, seus esforços sobre-humanos para transformar o futebol brasileiro no melhor do mundo estão torturando-o ao ponto de sofrer ataques que quase o mataram na semana passada. Pelo menos, foi isso que disse a Placar, a revista de esportes mais importante do país, sobre aquele que foi eleito o Novo Messias pela crônica esportiva brasileira. O “menino” Neymar foi comparado a Jesus Cristo, e está sofrendo as mesmas dores que o filho de Deus sofreu na cruz.

Não satisfeitos em terem transformado Neymar no maior fenômeno de marketing da história, festejando-o muito mais do que Pelé, no passado, muito embora o rapaz não tenha feito uma única façanha internacional pelo nosso futebol, eles agora querem preservá-lo da Seleção Brasileira. Daí que ele está sendo sacrificado igual a Jesus.

Muito embora o “menino” do Santos receba 100 mil reais por dia – a quantia é exatamente essa, 100 mil reais todo dia – de salário, e viva como um rei. Seus protetores, que o transformaram num produto extremamente lucrativo, acham que a maratona de jogos que ele está enfrentando é demais para ele, e isso pode matá-lo. Estão protegendo seu investimento. Mesmo que a maratona seja a mesma que enfrentam outros craques brasileiros.

A figura mais aplaudida, alardeada, festejada e incensada em toda nossa história, por ser um ícone do futebol, está sendo usada e abusada pela poderosa rede da imprensa esportiva do Brasil. Todo esse aparato em torno de Neymar está sendo utilizado por essa turma para mascarar a péssima fase que atravessa o futebol brasileiro e sua Seleção – que  tornou-se um fantasma, que não mete mais medo em ninguém.

O futebol europeu avançou bastante, adotando uma sólida gestão empresarial, que deu frutos. Hoje, qualquer brasileiro sabe que estamos aquém do futebol jogado por eles. O título de Campeão Mundial de Clubes, do Barcelona, o placar de 4 X 0 – humilhante, em cima do Santos, num jogo em que Neymar não fez absolutamente nada, a não ser cair, e o argentino Messi deu show – foi uma facada no orgulho do futebol brasileiro.

Estamos construindo os estádios mais belos do mundo, a um custo estratosférico, para dar aos brasileiros o prazer de sediar uma Copa do Mundo – já que perdemos em 1950 – para mostrar ao mundo que o país encontrou o rumo do desenvolvimento, e que já não é mais uma nação qualquer. No entanto, aquela arte que encantou a todos, a razão de ser da Copa, está passando por um momento difícil. Por isso, a criação do Novo Messias, o “menino Neymar”. Até então eu não tinha percebido totalmente a gravidade do que os marketeiros tramaram. A capa da Placar veio mostrar o quanto a coisa é grave.

Posso garantir que não sou corintiano, palmeirense ou são paulino,  nem tenho raiva do Santos. Sou torcedor do humilde Ceará. Futebol também não é um assunto sobre o qual me sinto à vontade para escrever. No entanto, essa capa patética da Placar, que não mexe com meus princípios cristãos, querendo dar a um mero jogador de futebol um papel que ele não tem, não teve, e nunca terá, me assusta pelo grau da desonestidade com que foi produzida. Os sujeitos estão mostrando que não têm escrúpulo algum para promover esse rapaz, usando-o, com seu pleno consentimento, para mascarar a fase medíocre por que passa o futebol brasileiro. Por mais que tenhamos tantos cronistas de futebol no país, fazendo críticas o tempo todo.

Por fim, a Copa está chegando, o “menino” terá 22 anos em 2014. E Neymar poderá dizer a que veio. Até o momento ele demonstrou que é um produto para consumo interno. Para mim, ele ainda é o Neymar cai-cai.

Só mais uma coisa, quem deveria estar crucificado naquela armação de madeira da Placar, em forma de cruz, era o torcedor brasileiro. A vítima de todo esse embuste. E já que estamos em fase de ataques à religião, e citações bíblicas, declaro que Neymar é um “ídolo de pés de barro”, e seus promotores, fariseus!

 

As Guerras e a Copa do Mundo

Em vez de campos de batalha, agora temos campos de futebol; em vez de gladiadores, temos jogadores; em vez de empunhar armas, corremos atrás de uma bola, ou mexemos com outros artefatos: seja jogando futebol, voleibol, basquete, correndo, nadando, pedalando, boxeando, e praticando outros esportes. A morte e a violência estão presentes no dia da humanidade, mas o homem não vive mais em guerra permanente como nos séculos passados.

 

A guerra sempre foi a principal atividade humana. Matar-se uns aos outros era a regra, a lei do mais forte prevalecia e, o guerreiro mais valente era o líder do grupo. Os gregos antigos, que nos legaram quase tudo que pensamos hoje – inclusive, as Olimpíadas –, viviam em guerra permanente. E Sócrates foi um soldado dedicadíssimo. Todas as comunidades, de todas as etnias e lugares do planeta viviam guerreando e se matando. Isso prevaleceu até pouco tempo atrás, quando a Europa, o continente que controlava o mundo, foi devastada em duas guerras mundiais. Ainda temos o serviço militar obrigatório, e quase todas as nações são detentoras de forças armadas. Ainda temos guerras localizadas, mas isso parece que está passando, e as guerras de batalhas campais, aos poucos estão sendo substituídas pelas guerras de diplomacia, hackers, troca de farpas, boicotes econômicos, assassinatos seletivos e espionagem permanente.

Quando digo que campos de batalha viraram campos de futebol é porque esse esporte se tornou, assim como dezenas de outros (as Olímpiadas) o catalisador da agressividade humana, dos homens, seres que não conseguem viver sem brigar. Estou falando do futebol, porque se trata do esporte mais popular do planeta – embora não seja tão forte nos EUA, terra do basquete.

 

Os guerreiros de hoje são os jogadores de futebol e suas torcidas. De certa forma, as  nações medem sua força por intermédio de seus clubes de futebol. Muito da garra, da agressividade humana foi canalizada para esse esporte. Os estádios são as áreas onde se dão as batalhas entre 22 jogadores correndo atrás de uma bola, cercados por, 30, 80, 100 mil pessoas, que gritam por um dos clubes que jogam com uma bola na arena, além, ainda, de dezenas de milhões e até bilhões, que torcem pela televisão, rádio e Internet. O futebol é um substituto da guerra do passado. A velha Europa tem os campeonatos mais ricos e disputados do mundo. E os clubes espanhóis, alemães e ingleses, outrora nações que viviam em guerra, agora correm e brigam por uma bola. É um tremendo avanço. Quando vemos aqueles estádios cheios de pessoas torcendo por seus clubes – que têm bandeiras e hinos como as nações – nos alegramos por saber que elas não estão se matando como faziam no passado. Lembremos que o Coliseu de Roma era uma arena da morte, em que os jogadores eram os gladiadores, que morriam às centenas em uma única “partida”. Até o século XVIII às execuções de criminosos, esquartejamentos e enforcamentos, eram feitas em público, na praça principal da cidade, e eram assistidas por todos. Isso é passado!

 

Digo isso porque estamos em época de Copa do Mundo, o maior acontecimento esportivo do planeta, um evento maior que as Olimpíadas. Cada vez mais globalizada, a Copa do Mundo de Futebol, hoje em vez de ser um evento restrito à América do Sul e Europa estendeu-se à África, Ásia e Oceania. A próxima Copa será no Catar, Oriente Médio. O Brasil é o país do futebol, o maior vencedor de títulos e celeiro de craques, que, hoje, estão espalhados por todos os clubes do planeta. No Brasil, respira-se futebol, e sua Seleção Brasileira de Futebol é uma instituição nacional. Os jogadores são ídolos, tal qual eram os grandes guerreiros do passado.

 

Estamos acompanhando, na Rússia, 32 nações se digladiando, em arenas gigantes, com dezenas de milhares de torcedores gritando o nome de sua seleção de Futebol – é “A pátria de chuteiras” dizia Nélson Rodrigues –, e bilhões de outros assistindo pela TV e tabletes o desempenho dos guerreiros da bola. As pessoas choram, riem, comem as unhas pela glória de seu país. Um gol é capaz de fazer toda uma nação ir do desespero ao êxtase. Mas ali não há ninguém matando ninguém. São apenas homens gastando adrenalina, saciando sua agressividade de uma forma criativa e genial. Os combates dentro de campo não produzem mortos e feridos, apenas quedas e contusões e lances geniais que fazem a glória da humanidade, que aprendeu a guiar sua agressividade para algo belo e sublime!

O Brasil já participou de 21 guerras de futebol, venceu cinco: é quem mais venceu. Acaba de perder a Copa deste ano de 2018, algo que deixa os brasileiros devastados. Hoje, não vigora, como nas guerras, a lei do mais forte e violento, ou do que tem mais guerreiros/jogadores; mas do que têm mais talento e melhor sistema tático e se prendem a detalhes mínimos para saírem vencedores.

O futebol representa uma vitória da humanidade contra o ódio, a agressão e a guerra! Assim termino com Hamlet: “Que obra prima é o homem, como é infinito em faculdades, em forma e movimentos como é divino e maravilhoso”. Viva o futebol!

Sobre Calúnia e Fake News

A  maior Fake News da história foi a chamada Doação de Constantino, um documento forjado, que dizia que o Imperador de Roma Constantino teria dado ao Papa Silvestre, no ano de 315, parte da Itália, e territórios fora dela, para a Igreja Católica. “Doação” que muito contribuiu para o enorme poder e influência que a igreja de Roma teve durante toda a Idade Média. Essa mentira durou mais de mil e cem anos, até que Lourenço Valla, em 1440, provou que o documento era falsificado, causando um pandemônio na Igreja.

Um dos perigos que enfrentamos nos dias que correm chama-se Fake News, Notícia Falsa, uma praga que sempre assolou a humanidade, mas que agora é mais frequente, por conta da tecnologia que tornou tudo muito rápido e imediato. Trata-se de uma bomba de potencial devastador, que, em questão de horas, graças às Redes Sociais, pode destruir vidas, lesar nações e empresas, e cometer outras desgraças. O não combate a essa praga é viver sobre o império do mal. Estamos falando da calúnia publicada, dos criminosos que infestam a imprensa e a internet contando histórias inverídicas. Estamos falando de um tipo cruel e covarde, o caluniador: o fabricante de notícias falsas!

E vamos buscar na Bíblia, o livro dos livros, a condenação a essa desgraça em praticamente todos os seus tomos, salmos e profetas. Escolhi apenas uma citação, por ela ser direta, contundente: “Não espalharás notícias falsas, nem dará a mão aos ímpios para seres testemunha de injustiça” – Êxodo – 23.1! Depois do livro de Deus, vamos citar a Bíblia dos Homens, Shakespeare. Diz Hamlet, em uma discussão com Ofélia, sua namorada: “Mesmo que sejas tão pura quanto o gelo, e casta como a neve, não escaparás dos golpes da calúnia”.

Estamos cercados de caluniadores, de canalhas pagos, de desocupados, escondidos em redações, dentro de casa, no trabalho – a pequena Macedônia, da ex-Iugoslávia, é o maior centro de Fake News do mundo –, com um computador na mão produzindo material, textos, vídeos inventando mentiras com vistas a destruir reputações, para obter vantagens. Se fôssemos nomear a quantidade de guerras e conflitos que foram provocados por boatos, mentiras e notícias falsas, precisaríamos de mil páginas para fazê-lo. Vou citar três casos. Na Roma antiga, durante a batalha naval de Actium, em 31 A.C, houve uma guerra de informações, em que Otávio, o futuro imperador Augusto, espalhou que Marco Antônio, então amante de Cleópatra, a rainha do Egito, que estava em guerra com Roma, iria mudar a capital do Império para o Egito; inventaram também que Cleópatra tinha se suicidado. Isso fez com que Marco Antônio também se matasse. Foi nessa batalha que o conceito de ocidente e oriente se firmou.

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), durante a invasão da Bélgica, os alemães espalharam um boato de que mulheres franco-atiradoras, escondidas em cima de árvoes, matavam os militares alemães. A partir daí os alemães passaram a massacrar a população civil belga. Hoje quem for a Bélgica, vai encontrar o país crivado de cruzes, com a seguinte inscrição “Aqui, em 1915,1918 os alemães massacraram 1, 2, 300, 500 pessoas”. Na Segunda Guerra Mundial, Joseph Goebels, ministro da propaganda nazista, o maior criador de Fake News da história, inventou que os poloneses tinham matado os guardas da fronteira alemã. Na verdade, os alemães mataram presidiários e os vestiram com roupas alemãs. Esse Fake deu início à Segunda Guerra.

O poder maléfico das Fake News ficou evidente nas últimas eleições presidenciais americanas, quando o fanfarrão Donald Trump construiu um cabedal de mentiras: E-mails falsos, uso do FBI, CIA, relação com a Rússia e outras canalhices, e assim destruiu Hillary Clinton. As investigações continuam, e muita gente da assessoria de Trump está presa.

A humanidade está em guerra contra as Fake News. O Facebook, o maior catalisador de Fake News do planeta – e responsável pela eleição de Trump – enfrentou uma CPI no Senado americano, e Mark Zuckerberg teve que se retratar, e mudar sua política. Resultado, o facebook minguou, diminuiu de tamanho. Porém a mais perigosa fonte de Fake News  continua sendo o Whats App, a endiabrada Rede que não deixa mais ninguém dormir, tornando a humanidade ainda mais neurótica e agoniada. Essa Rede vai ser muito difícil de controlar! No Brasil, acendeu a luz amarela, e a vermelha também. Como estamos em ano eleitoral, os tribunais só falam nisso, no crime que é a Fake News. Sua criminalização foi decretada e a caça aos caluniadores já começou.

“Ninguém escapa aos golpes de uma língua caluniadora”, diz Shakespeare. Ele mesmo, três séculos depois, tornou-se vítima de Fake News! Invejosos espalharam que ele não escreveu sua obra, e sim um aristocrata: um conde, uma rainha, um duque etc. Portanto, gente de bem, está aberta a temporada de caça aos caluniadores: cadeia neles! Esse é  nosso grito de guerra!.

Brasileiros e Troianos

 

“Que há de espantoso? Existe, num governo vigilante, uma providência que conhece quase até o último grão de todo o ouro de plutão, que encontra o fundo de golfos incomensuráveis, que toma lugar ao lado do pensamento, e, quase como os deuses, desvela a ideia em seus mudos berços. Há na alma de um Estado uma força misteriosa de que a História jamais ousou ocupar-se e cuja operação sobre-humana é inexprimível pela palavra ou pela pena. Todo intercâmbio que tiveste com Tróia é para nós perfeitamente conhecido…”.

A sentença acima foi escrita em 1612 e está na peça Tróilo e Créssida, uma das ultimas tragédias escritas por Shakespeare (foi montada no Brasil por Jô Soares no ano passado). Estou utilizando-a aqui e agora porque acho que ela tem tudo a ver com o caos, a catástrofe que acabamos de assistir, de sofrer, no país. Se no início do século XVII, há quatrocentos anos, portanto, a Inglaterra já tinha um serviço de espionagem capaz de informar as tramas e golpes em curso na nação, como que o Brasil em pleno século XXI, com toda a tecnologia e pessoal disponível é, ou foi, incapaz de evitar a paralisação do país por um período de dez dias? Como?

Uma cambada de imbecis – a expressão é coloquial, vulgar, mas é perfeita – foram pra rua e pras redes para pedir intervenção militar, uma ditadura, a coisa mais fora de moda e estúpida possível, uma tragédia pertencente ao passado. Algo que nem os militares querem. As forças armadas têm seu papel constitucional, sabem da dificuldade que é gerir uma nação; sabem que a classe politica apodreceu; que a corrupção tomou conta do país; que alguns membros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Gilmar Mendes e Marco Aurélio, trabalham diariamente para desgraçar o país; mas sabem também que, apesar disso, eleições diretas, a democracia, é a melhor forma de escolher, de conduzir os destinos da nação.

Ditadura não é solução para nada, pelo contrário, é uma desgraça com data para terminar. Sabemos que a esfera pública está infestada de bandidos, que merecem realmente ser fuzilados, tal o nível de depravação a que chegaram. Que o Senado, em sua maioria, é composto por uma ralé, o que há de mais corrupto no país, são ladrões declarados que riem do sofrimento do povo e da agonia da nação. Esse bando de depravados de cabeça branca, que deveriam ser o esteio de decência do país são exatamente o contrário: um bando de ladrões descarados! O Senado no Brasil é o contrário do que deveria ser, de um corpo de homens sábios e veneráveis, fez-se o oposto: lá, quanto mais se envelhece, mais se envilece. Mais deprava! Não vou falar da Câmara dos Deputados – basta ver que todos os seus ex-presidentes estão presos – a Câmara não merece comentários! A renovação tem que vir nestas eleições.

Há quem diga que sua situação é tão desesperadora, que Michel Temer e sua turma deixaram isso tudo acontecer para que o país se tornasse uma nação sem rumo. Assim, eles se livrariam da cadeia que os espera de portas abertas em janeiro de 2019. Não acho que Temer seja tão ingênuo ao ponto de acreditar nisso! O Brasil não sairá dos trilhos, está desgovernado, mas encontrará sua rota. Infelizmente, vamos ter que suportar esse sujeito até o final de 2018. Serão sete meses de agonia! Mas “É preciso suportar o insuportável”, parodiando o Imperador japonês Hiroíto, durante a Segunda Guerra Mundial, pelo bem do país!

Temos de estar conscientes de que as quadrilhas que tomaram conta do país querem transformar o Brasil numa espécie de Tróia – digo isso para fazer um paralelo com a cidade grega que foi destruída por seus pares, objeto da peça de Shakespeare. Crise em grego é claridade, espero que essa crise brutal, uma das maiores em que o país já viveu, seja o prenúncio de mudanças, de vermos claro. Nós não aguentamos mais o Brasil!

A greve dos caminhoneiros foi um movimento dos donos de transportadoras, da extrema direita e de um bando de marginais que, sabedores do descontentamento geral, com essa política louca e confusa do preço dos combustíveis, que aumenta, varia, todos os dias. A eles, se juntou uma parte do país. Na verdade, tudo isso tem a ver com a corrupção, a doença do dia a dia do país! Até quando suportaremos isso?

Os 73 Anos do fim da Segunda Guerra Mundial

Terça-feira, dia 8 de maio de 2018, a humanidade festeja o fim da Segunda Guerra Mundial — o conflito ainda iria até 14 de agosto no oriente, com os aliados lutando contra o Japão ­— com a rendição incondicional da Alemanha. Durante seis longos anos, mais de cem milhões de soldados combateram num conflito que envolveu os cinco continentes. No final, mais de sessenta milhões de pessoas estavam mortas – não há consenso sobre o número real, que pode chegar a oitenta milhões. Entre os mortos, vinte e sete milhões eram soviéticos. Quem mais sofreu foi a Polônia, que perdeu 15% de sua população. Europa e Ásia estavam devastadas, e dezenas de milhões de pessoas vagavam pelas estradas sem terem para onde ir.

Em 1871, os estados alemães, herdeiros das tribos germânicas que derrotaram o império romano em 476 D.C, finalmente se juntaram, sob o comando de Oto Von Bismarck, chanceler da Prússia e, depois de humilharem a França – vingaram-se de Napoleão que fizera o mesmo com eles sessenta anos antes –, na guerra franco-prussiana, criaram uma nação denominada Alemanha. Extremamente organizados,  os alemães trabalharam sob o lema “ferro e sangue”,  montaram os maiores e melhores exércitos e resolveram dominar o mundo, pois esse era “o destino da Alemanha”.

Terra de filósofos, cientistas, músicos e juristas, considerados os melhores do mundo, os alemães, em 1914, estavam tão ricos e equipados quanto o império britânico, fonte de inveja da Alemanha. Assim, seu imperador Guilherme II, um homem recalcado (tinha um braço paralisado), invejoso, brutal, resolveu encarnar o espírito alemão, cometendo toda sorte de asneiras diplomáticas, criando conflitos com os outros impérios, Russo, Britânico, Turco-Otomano e o Austro-Húngaro. E com estes dois últimos se aliou, e em vista de um mundo cansado, velho, em que a humanidade flertava com a estupidez, uma guerra foi deflagrada em agosto de 1914, transformando-se na Primeira Guerra Mundial, que deixou um rastro de destruição na Europa, e levou a Alemanha à desgraça, deixando-a de joelhos… e gerou um filho: Adolf Hitler.

Em poucos anos, a Alemanha estava de pé de novo. Seu povo organizado e trabalhador, com o mais alto nível técnico-educacional do mundo – a Alemanha ganhou a maioria dos prêmios Nobel do começo do século – estava preparada para se vingar das “humilhações” do Tratado de Versalhes, que reduzira seu tamanho e a obrigara a pagar pesadas indenizações, penalizando seu povo durante vários anos. Foi quando Hitler, um cabo desempregado de trinta anos de idade, que não estudou, pintor fracassado, que dormia em albergues e bancos de praça, que ficara cego por um ano durante a guerra, montou um partido, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, apelidado de Partido Nazista, hipnotizou o país e prometeu devolver a honra da Alemanha.

“O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui”, diz Shakespeare em sua peça A Tempestade. Frase alguma poderia descrever melhor o que aconteceu com o povo alemão  – com poucas exceções – nos anos que vão de 1933 a 1945. Nasceu ali a máquina mais brutal e assassina da história. Os alemães, denominando-se “arianos”, a “raça superior”, transformaram-se em demônios e resolveram aniquilar a humanidade.

Em primeiro de setembro de 1939, Adolf Hitler mandou invadir a Polônia, e em três semanas, reduziu-a a pó. Em julho de 1940, a Europa estava quase toda dominada e escravizada, a França derrotada novamente e Paris virou um prostíbulo alemão. Hitler fez aliança com Japão e Itália para dividir o mundo entre eles. Somente uma nação europeia resistia, a Grã-Bretanha, de Winston Churchill, o homem que disse não a Hitler e Mussolini, e lutou sozinho com os dois demônios por dois longos anos.

No oriente, o Japão fazia misérias, cometendo atrocidades inimagináveis no Pacífico Sul: na China, Coréia, Indonésia, Filipinas e ilhas adjacentes. Na Alemanha, Hitler escravizara doze milhões de europeus, mandara matar os judeus, homossexuais, deficientes, testemunhas de jeová, ciganos, negros e minorias, denominados por ele de “escória da humanidade”. Milhares de campos da morte foram montados em toda a Europa. Em algum momento de 1942, parecia que o mundo seria governado por satanás!

Como arrogância e estupidez são cegas, o Japão resolveu atacar os Estados Unidos da América, e a Alemanha atacou a União Soviética, duas nações incomparavelmente maiores e mais populosas do que elas. Foi o começo do fim! A coragem da Inglaterra, a riqueza da América e os soldados da U.R.S.S colocaram Japão e Alemanha em seu devido lugar. No final, Hitler deu um tiro na cabeça, Mussolini morreu como um porco (pendurado num gancho) e os japoneses conheceram o inferno. A paz voltou, a ONU nasceu, surgiu uma nova ordem, e veio a guerra fria. Mas isso já é outra história!

Bruce Lee, a China e o Brasil

Nesses tempos sombrios, em que o Brasil é governado por um bando de sem-vergonhas, por organizações criminosas entranhadas nos três poderes da República, em que a safadeza e a corrupção são imperativos, tudo que escrevermos e dissermos sobre o tema aparenta fraqueza – pois só o povo nas ruas pode calar esses canalhas tratados por excelência –, resolvi escrever sobre outra coisa, sobre alguém, aparentemente, bem distante de tudo isso: vou falar de Bruce Lee. Bruce Lee, isso mesmo! Por que Bruce Lee? Que diabos tem a ver um ator, lutador de kung Fu, que morreu quase meio século atrás, com as mazelas do Brasil, um país tropical sem presente e sem futuro? Por quê?

Então, eu respondo: porque, entre outras coisas, Bruce Lee faz parte da minha infância nos anos 70, encarna, em seus filmes, a luta contra a exploração e a corrupção, é o oposto de todos esses bandidos que estamos enfrentando no Brasil; ajudou a pôr a China no Mapa e porque ele absorve completamente a sentença de Hamlet: “Que obra prima é o homem! Como é nobre pela razão! Como é infinito em faculdades! Em forma e movimentos, como é expressivo e maravilhoso! Nas ações, como se parece com um anjo! Na inteligência, como se parece com um Deus! A maravilha do mundo! Protótipo dos animais”.  Destaco, mais enfaticamente, para Bruce Lee, a frase “Em forma e movimentos como é expressivo e maravilhoso”.

Talvez alguém me chame de louco, idiota por misturar Shakespeare com um lutador de artes marciais! Vou provar aqui que Bruce merece ser contemplado pelo elogio de Hamlet! Só mais uma observação: quem disser que o que está acontecendo no Brasil faz parte de uma onda que afeta o mundo todo, está dizendo besteira. Trump, o gorducho coreano, estado islâmico e alguns nazistas na Europa, não têm nada a ver com a esculhambação brasileira! A depravação brasileira foi construída por nós mesmos! É coisa nossa!

Pouquíssimos seres humanos chegaram a uma perfeição física, mental e espiritual “mens sana in corpore sano” como o garoto chinês, nascido nos Estados Unidos e criado em Hong Kong, do que Bruce Lee – Lee Jun-fan, em chinês. Nascido em 1940, mesmo ano de John Lennon, na década que daria à humanidade praticamente todos os ícones culturais que iriam moldar o século XX a partir de então, Bruce foi meio azarado por ter nascido chinês! Explico. A China era um gigante obscuro, uma nação de quase cinco mil anos, que intercalava períodos de triunfo e tragédia. Já uma nação dividida há centenas de anos, a primeira metade do século fora imensamente trágica, quando os chineses foram aterrorizados pelos japoneses. Muitos migraram. Os que chegaram à América, os EUA. “a terra dos sonhos”, eram considerados racialmente inferiores, e “tratados como cachorro”, talvez pior. Bruce sofreu isso na pele, na Califórnia, o estado onde morou na juventude.

Garoto brigão, consciente de seu talento, lutava contra o preconceito, nunca aceitou que o tratassem de forma humilhante. E foi cavando sua ascensão, mediante a prática do Kung Fu, uma arte marcial chinesa, milenar, que aprendera em Hong Kong. Enquanto treinava, estudou filosofia na Universidade de Washington, leu muito psicologia, teatro e escreveu sobre o aprimoramento do corpo e da mente. Logo ele estava dando aulas de Kung Fu para as estrelas de Hollywood – Steve McQueen, James Coburn…

Bruce exercitava incansavelmente corpo e mente diariamente, chegando ao ponto de fazer flexões apenas com o polegar, e mesmo a quebrar uma tábua grossa com um único soco a 10 cm de distância. Seus passos, seus saltos, sua dança (fora dançarino de Cha, Cha Cha), sua resistência, sua força, sua habilidade e, principalmente, sua velocidade, logo deixaram claro para todos que ele não era um ser humano comum, mas uma espécie de super-homem. Bruce casou com uma americana, teve um casal de filhos, sendo um marido e pai dedicado e amoroso.

Em seguida, estava fazendo filmes em Hong Kong – seus pais eram atores de teatro, e ele fora ator mirim. Seus dois filmes estouraram em Hong Kong, ele fez a série Besouro Verde, para a TV americana, todos um enorme sucesso. Mas perdera o papel na série televisiva Kung Fu, para um louro americano, David Carradine, tudo por puro preconceito. Mas o preconceito não venceu, o sucesso veio. Criando um novo estilo de filme, “os filmes de Kung Fu”, em que ele era roteirista, ator e diretor, filmes simplórios, mas que iriam encantar toda uma geração, e encher o ocidente de academias de artes marciais, e transformá-lo num ícone mundial, um mito, um ídolo para crianças, jovens e quarentões. Hollywood dobrou-se ao seu talento, e Bruce Lee fez seu primeiro filme hollywoodiano! Faltando uma semana para a estreia, Bruce morreu, aos 32 anos, de uma dor de cabeça, em consequência de um analgésico. Na autópsia, foi constatado que seu corpo não tinha um grama de gordura. Era só músculos! Morreu o homem, nasceu a lenda!

Assim o furacão chinês varreu o mundo. Seu filme Operação Dragão arrecadou mais de cem vezes o seu custo. Seus vídeos se espalharam e o mundo todo pode ver suas performances: seu corpo perfeito, beleza física, seus saltos, seus voos, sua elegância de bailarino, estilo, força física, agilidade e uma velocidade que as câmeras da época não conseguiam registrar. Até hoje se usa câmara lenta para ver os movimentos de Bruce Lee. Quando ele usava o Nunchaku (dois bastões conectados por cordão ou corrente), parecia que eles faziam parte de seu corpo, tal a precisão e velocidade dos movimentos. As peças ficavam quase invisíveis. Nem Nijinski, Isadora Duncan, Nureyev, Fred Astaire, Cassius Clay e Michael Jackson chegaram à beleza física e a elegância de “forma e movimentos” de Bruce Lee. A quantidade de imitadores que surgiram após sua morte é enorme! Mas nenhum chegou perto de seu brilho e caráter únicos!

Três anos após a morte de Bruce, morria também Mao Tse Tung, o líder brutal que unificara a China,  e nascia a nova China, de Deng Xiaoping, que iria crescer num ritmo vertiginoso, tornando-se a nação mais rica do planeta, deslocando, até certo ponto, o centro do mundo para o oriente. Japão, China, Coréia e outros tigres asiáticos provaram ao mundo branco que os amarelos não são inferiores.

Bom, vamos para o Brasil! E o Brasil? O país do futuro? Durante parte desse tempo, de 1980 para cá, o Brasil só patinou, continuou sendo uma promessa, perdemos a corrida, e continuamos sendo “O país do Futuro”, um futuro que nunca chega. Atolamo-nos na podridão da inércia e da corrupção.

Por isso que trouxe Bruce Lee de volta para dizer que ele foi o chinês que mostrou que seu país e seu povo mereciam respeito e que podiam integrar o primeiro time das nações. Coisa que o Brasil não consegue, apesar de ter as condições materiais, geográficas para fazê-lo, até de sobra. Escravos de uma elite cruel, covarde e desumana continuamos patinando para trás. Patinando, escorregando e caindo o tempo todo. Não temos, nem de longe, um símbolo, uma bandeira, um Bruce Lee, que nos diga que podemos chegar lá!

É isso que eu quero! Que apareça um Bruce Lee!

 

Huxley e Shakespeare – Admirável Mundo Novo

A belíssima sentença Admirável Mundo Novo que dá título ao livro de Aldous Huxley, e que, quase todo mundo pensa que é de sua autoria, na verdade, pertence a Shakespeare. Não que Huxley tenha tentado se apropriar dela, longe disso, ele a pôs na primeira página de seu famoso livro como uma citação shakespeariana. Mas, como o livro já passou dos oitenta anos, e goza de enorme prestígio, sendo um clássico, a verdade sobre a autoria da frase já se perdeu.

Essa belas palavras são ditas pela jovem Miranda, na peça A Tempestade, uma das últimas de Shakespeare. Miranda morava isolada numa ilha com o pai, duque de Milão, que fora banido pelo irmão, quando Miranda tinha apenas um ano de idade. Ao completar catorze anos, o pai, dotado de poderes mágicos, capaz de alterar o tempo e mexer com a natureza, traz os milaneses para a ilha. É lá que Miranda, vendo homens pela primeira vez, exclama: “Oh! Maravilha! Quantas criaturas adoráveis estão aqui. Como é bela a humanidade! Oh, Admirável Mundo novo em que vivem tais pessoas”. Lindo, não é mesmo! Foi que foi nessa época que ocorreu a descoberta da América.

 

Três séculos separam Aldous Huxley de Shakespeare. Era inglês como ele e, como tal, um leitor do bardo. Filho de uma família de gênios, era neto do célebre cientista Thomas Huxley, defensor e amigo de Charles Darwin. O livro Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932, tornando-se um sucesso quase imediato, sendo lido e devorado como um clássico que anteciparia muitas das questões da modernidade.  Trata-se de uma utopia, um livro pessimista quanto ao futuro da humanidade. Huxley prevê um estado totalitário controlado por uma minoria, detentora de uma ciência pervertida que transforma os seres humanos em meros robôs criados em laboratório. Ele ironiza a fé cega no processo científico e materialista. Diz, literalmente, que “No futuro haverá uma ditadura científica que transformará os homens em robôs”. Ou seja, a ciência e a tecnologia criariam um mundo de horror, frio e ditatorial, “superpopuloso que drenaria os recursos naturais do planeta”.

 

Huxley viveu no período em que imperava o fascismo em quase todo o mundo – ele morou vinte anos na Itália —, na fase das guerras mundiais que devastaram a humanidade. O período dos sanguinários ditadores Hitler, Mussolini e Stálin. Era um tempo de pouca, pouquíssima esperança. Prevalecia nessa época também, uma mania por áreas das ciências voltadas para a destruição do ser humano, em virtude de teorias raciais. Era uma espécie de doença. Foi baseado nisso que alemães, russos e japoneses aniquilaram milhões de seres humanos considerados “raças inferiores”.

 

Nem de longe quero diminuir o livro de Huxley, pois ele nos aponta uma série de perigos que vamos enfrentar com o avanço da ciência e tecnologia. Vide as bombas atômicas que vieram a seguir, e muitas outras armas de destruição em massa, sem falar nos medicamentos criminosos que foram usados em cobaias humanas. Mas eu diria que Huxley foi muito influenciado pelo clima de desesperança da época. Que embora estejamos enfrentando um momento preocupante, uma guinada autoritária, vide eleição de Trump, estamos longe do mundo assustador que Huxley previu. Mesmo em 1962, ano de sua morte – quando imperava a guerra fria — Huxley disse que a ameaça da ditadura tecnológica permanecia.

Não quero, nem é preciso colocar Shakespeare em contraposição a Huxley. O que se pode dizer é que Shakespeare continua atualíssimo mesmo após quatrocentos anos de sua morte. Tudo que ele diz sobre o ser humano é atual, premonitório, isso é unanimidade entre todos que o leem. É dito que nós não lemos Shakespeare, ele é que nos lê. Tenho certeza que Shakespeare não compartilharia da opinião que Huxley tem do futuro da humanidade, que ele tanto amava. Foi por isso que ele colocou o ser humano como centro de sua obra.

A provocação que faço aqui, dentro de uma Feira onde se fala de inteligência artificial, robótica – os robôs de Huxley? — tem como objetivo levar as pessoas, principalmente os jovens cientistas, a refletir sobre as preocupações de Aldous Huxley. A pergunta é:  será que a tecnologia é controlada por uma minoria autoritária que está transformando os homens em meros robôs? Afinal uma de suas teses é inegável: A superpopulação está drenando os recursos naturais do planeta terra. E aí?

Os Defenestrados ou a Revolta da Braguilha

A palavra defenestrado deriva de “finestra”, janela em italiano. Significa, literalmente, jogado pela janela. Ou seja, foi destruído, morto. A prática de defenestrar, matar pessoas, jogando-as pela janela, fato que pode acontecer em qualquer lugar, vem da antiga Boêmia, que no século XX virou Tchecoslováquia, e atualmente chama-se República Tcheca. Segundo o historiador Martin Gilbert, o ato de defenestração ocorreu pela primeira vez na sangrenta Guerra dos Trinta Anos, sendo repetida na Primeira e Segunda Guerras Mundiais e mesmo em outras ocasiões.

Pois muito bem, nos nossos dias, a palavra Defenestrado tem significado diferente, é usada para denominar alguém caído em desgraça. De alguém que cometeu algum tipo de vacilação moral, desvio de conduta, traição conjugal, embriaguez… É aquele indivíduo que “vacilou”, isso para usar um termo da moda. Mas a prática a qual quero me referir e, objeto desse artigo – em discussão na atualidade –, é a do cerco ao assédio sexual. A nova onda, como quase sempre, é oriunda dos E.U.A. Mais particularmente de Hollywood, o mundo do cinema americano.

A bola da vez é Harvey Weinstein, o superpoderoso produtor de Hollywood, responsável por uma enormidade de filmes, entre eles Shakespeare Apaixonado. O gigante Weinstein, ele é um homem enorme, foi acusado de assédio sexual por dezenas de atrizes do primeiro e segundo escalão da indústria. O mundo desabou na cabeça do grandalhão pervertido. Para começar, ele foi expulso da própria empresa da qual é dono, e que leva seu nome: Weistein Company. Foi proibido de trabalhar no Cinema, está enfrentando processos judiciais e acordos de leniência; foi abandonado pela mulher, pediu desculpas públicas, confessou ser um homem doente e deu início a um tratamento numa clínica para viciados em sexo – papo furado. Harvey Weinstein foi esmagado, defenestrado. É tão canalha, que contratava agentes do Mossad, o serviço secreto de Israel, inclusive, mulheres, já que ele é judeu, para vasculhar a vida de suas vítimas, possíveis delatores.

Depois do caso Weinstein, começaram a chover denúncias em Holywood. Outra vítima foi o grande e respeitado ator Kevin Spacey, desta vez por assédio homossexual a jovens atores e até a um filho de Richard Dreyfuss. Uma dezena de denúncias. É o ator principal do megassucesso House of Cards — em cima de Ricardo III, de Shakespeare – série do NETFLIX, em que interpreta o Presidente dos EUA. Spacey, não somente foi expulso de todos os programas que estava trabalhando, como também foi cortado do filme, quase pronto, em que interpreta o bilionário John Paul Getty. Um cataclisma. Confessando-se Gay, Spacey já está em tratamento em uma clínica de “viciados em sexo” e responde a vários processos judiciais. Foi amaldiçoado pela indústria para sempre,  e não se reergue mais. Foi defenestrado.

E temos Charlie Sheen, já praticamente destruído pela vida devassa que levava, é soropositivo, responde há vários processos por assédio sexual e por ter contaminado mulheres com o vírus da AIDS, foi agora acusado de ter estuprado o jovem ator Corey Haim (filme Stand By Me) em 1986. Haim tinha apenas 13 anos, e acabou se suicidando mais tarde. Silvester Stallone também foi acusado de abuso. Stallone já foi ator pornô. Aproveitando a onda, a atriz Meryl Steep, a poderosa e asquerosa – ela odeia os homens – indicada a vinte e três Oscars – resolve atacar Dustin Hofman, de forma covarde, por que “Ele teria pegado em seu seio” 40 anos atrás”. Até hoje não sei de onde vem o poder dessa mulher odienta.

É preciso punir os pervertidos, fazê-los pagar por seus crimes, embora haja muita hipocrisia nisso. Explico: Hollywood pune uns e perdoa outros. Para mim, o caso mais grave a que Hollywood silenciou é o de Woody Allen, que casou com a própria filha (adotiva) e abusou sexualmente da outra de treze anos de idade – há provas materiais. O fato foi denunciado pelo próprio filho de Allen e pela ex-mulher e mãe da criança, Mia Farrow. Mas Hollywood não disse nada para o crime imperdoável do genial psicopata, que continua fazendo filmes e gozando de enorme prestígio. Não assisto seus filmes.

E para dizer que não falei do Brasil, temos o caso do ator José Mayer, galã da Globo que atacou uma funcionária, uma maquiadora aplicando o famigerado “Ou dá ou desce”. Ele já tinha assediado várias outras. José Mayer acabou-se, foi defenestrado.

Todas essas pessoas foram, no dizer de Shakespeare, vítimas “Da rebelião de sua própria carne”, “Da rebelião de uma braguilha”, “Uma repetição imoderada, e quando bebemos morremos”, ou seja, da Luxúria. Kevin Spacey, Woody Allen, Meryl Streep e Dustin Hoffman me lembram mais uma vez o bardo de Stratford “Uns sobem à custa do pecado, outros caem por causa da virtude: alguns saem duma selva de vícios sem ter que prestar conta de nenhum deles”. É isso aí!

Atenção ladrões e outros criminosos

Atenção ladrões, corruptos, golpistas, falsificadores, estelionatários e criminosos em geral, a hora é de vocês. Aproveitem a maré! O que antes ainda era dúvida, agora é certeza. Ontem, o Supremo Tribunal Federal ao julgar o caso do senador Aécio Neves, depois de uma votação empatada em 5 x 5, sua presidente, Carmen Lúcia, liberou, com seu voto de minerva, para que o crime como conduta de vida seja um privilégio de um grupo. Basta que, para isso, adquiram um mandato popular. Ou seja, virem deputado, governador, Senador essas coisas. Com um diploma desses na mão, vocês, a partir de agora, serão uma espécie de James Bond ao contrário. Se o agente 007 tem licença para matar, vocês têm licença para roubar.

Não percam a oportunidade, juntem-se a Aécio Neves e, claro, ao presidente Michel Temer, e muitos e muitos outros. Roubem à vontade, vocês estão amparados pela constituição. O Supremo Tribunal Federal que é o guardião da carta magna, garante a imunidade. Vocês agora só poderão ser julgados pela própria quadrilha a que pertencem. Não se inibam. Não façam como Geddel Vieira Lima, que esqueceu de renovar seu mandato, e por isso está preso. Olhem para o Congresso Nacional e vejam a quantidade de ladrões bem sucedidos rindo da cara do povo. Lá tem canalha e vagabundo de todo tipo. Todos prosperando, com milhões e até bilhões na conta. Outro conselho, abram uma igreja e intitulem-se cristãos devotos, “bispos”, esse é o caminho mais rápido para chegar a um mandato popular. O Brasil está cheio de criminosos se dizendo “evangélicos”, emporcalhando o nome das verdadeiras igrejas cristãs. Não há nada melhor para um criminoso do que se esconder atrás da máscara da piedade.

Outra coisa, leiam essa pérola: “Roubai, servidores de confiança! Vossos sisudos senhores são ladrões de mangas amplas que saqueiam com a autoridade da lei”. Essa sentença foi escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare, em sua peça Tímon de Atenas, de 1608. Shakespeare falava da cidade de Atenas, que estava mergulhada na corrupção, igualzinho ao Brasil. Aqui, um personagem, Tímon, cansado da canalhice que tomou conta da cidade, amaldiçoa Atenas. E diz: “Piedade, escrúpulo, devoção, paz, justiça, verdade, deferência doméstica, cultos, ofícios, tradições, costumes e Leis perdei-vos na desordem de vossos contrários e viva o caos”. É ou não e o que o vai acontecer no Brasil daqui pra frente? Muito embora boa parte disso já aconteça! Só que agora com a chancela do Supremo Tribunal Federal. Não há nada melhor do que o caos nas leis de um país, para vocês, os ladrões, prosperarem. Portanto, mãos à obra! Roubem, roubem, roubem até cansar. Não esqueçam o exemplo de Paulo Maluf que, rouba desde criança, e já está com 88 anos, livre, rico, leve e solto. E semana passada o ministro Marco Aurélio Mello, aquele primo do Collor, o inocentou em mais um julgamento.

Assim, peço um brinde ao crime. Viva o crime! Longa vida aos ladrões! Foda-se o povo brasileiro!

 

O Massacre de Las vegas/Denver

Escrevi esse artigo tem cinco anos. Nada mudou nos E.U.A. Las Vegas tem mais de 500 lojas de venda de armas!

O massacre de Denver, nos Estados Unidos da América, é estúpido, cruel, brutal, mas, ao mesmo tempo, compreensível, e nos perguntamos por que os americanos podem ficar surpresos com essa barbárie? As lágrimas do presidente americano pelas vítimas do massacre é uma hipocrisia. O que aconteceu lá é produto de um fenômeno de dissociação de alguns que não sabem mais o que é realidade e o que é ficção.
Um jovem de cabelo pintado de vermelho entra pela porta de emergência de um Cinema, usando máscara, um colete à prova de balas, uniforme da SWAT, e armado com duas pistolas, um rifle e uma espingarda. Após gritar que é o Coringa, joga uma bomba de fumaça e abre fogo, durante vinte minutos, contra as pessoas presentes no recinto. Setenta e uma pessoas são alvejadas, doze mortas.
A chacina se deu à meia noite, durante a estreia do filme Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge – na verdade, quem surgiu mesmo foi o Coringa. Vestidos de Batman e de outros personagens do filme, inicialmente, os espectadores achavam que se tratava de uma campanha promocional, e que tudo não passava de uma simulação.
O assassino declarado é um jovem de apenas 24 anos, estudante de doutorado. Antes de cometer os crimes, ele minou seu apartamento com granadas, bombas e outros artefatos explosivos – que seriam acionadas ao abrir da porta (igualzinho aos filmes) – suficientes para explodir o prédio inteiro. Todo esse material, incluindo seis mil cartuchos de balas, pistolas Glock, rifles e escopetas foram comprados legalmente pela Internet e entregues em casa. Da mesma forma que nós compramos tênis e livros.
O sujeito agora está preso, passa o dia cuspindo nos guardas, diz que é o Coringa, e afirma que está “atuando”. Fãs do Batman estão fazendo um abaixo assinado solicitando ao ator que o interpreta, Christian Bale, para visitar a cidade, e mostrar para as crianças a existência do super-herói, para provar-lhes que o Coringa não venceu! É verdade, acreditem!
Como é que a maior democracia do mundo, o país que nos deu, e nos dá tantas coisas maravilhosas, com enorme capacidade trabalho, inventividade, criatividade pode permitir que coisas assim possam acontecer? Como é que alguém pode comprar armas e munições pelo correio? Simples, os EUA se tornaram reféns da indústria bélica há muito tempo, e não tem saída. Massacres como o de Denver – cidade famosa pelos filmes de bang bang – podem acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar e não devem surpreender ninguém.
Esse massacre não vai mudar simplesmente coisa alguma nas leis americanas sobre o controle de venda de armas. Esse povo brilhante, que discute, esmiúça e desvenda tudo, não vai mudar sua constituição por causa desses inocentes mortos. Andar armado faz parte, lamentavelmente, da cultura americana. Taí o passado dos filmes de Western de John Wayne, o gênero americano por excelência, para provar isso. O americano ama armas. Elas fazem parte do “american way of life”.
A relação dos americanos com o cinema e o mundo virtual é visceral. E Hollywood, tristemente, está cheia de indivíduos amorais: como Angelina Jolie, que veste a filha um dia de homem e outro de mulher para ela escolher o sexo o qual quer pertencer; ou de Woody Allen, o gênio feioso com jeito de psicopata, que casou com a própria filha; ou de Tom Cruise, adepto de uma seita de psicóticos endinheirados; ou do brutal Quentin Tarantino, que estetiza e faz a apologia da violência;
Talvez os americanos tenham mesmo consciência de que não podem se livrar das armas, de que um povo desarmado será vítima de loucos armados. E é uma pena que seja assim. Podemos ver, com muita tristeza, que o sonho americano, para a felicidade dos que odeiam a América, também é cheio de pesadelos.