O Avarento maio07

O Avarento

Para Franz Kafka, “a avareza é a pior forma de solidão”. Shakespeare concordava com ele, tanto que, três séculos antes, criou, em O Mercador de Veneza, Shylock, um velho vingativo e avarento. A avareza de Shylock só é superada pelo seu ódio. O texto fala da autodestrutiva jornada percorrida por Shylock para mutilar ou mesmo matar Antônio, um comerciante veneziano que lhe pedira emprestado três mil ducados. Na sua ânsia por destruir Antônio, legalmente, pois encontra inicialmente respaldo na justiça, Shylock acabará se transformando em réu e aniquilando com sua fortuna, seu poder e sua fé! O que faz um homem riquíssimo,...

Meu Adeus a Belchior maio02

Meu Adeus a Belchior

Se tivesse que comparar Belchior com algum personagem de Shakespeare, precisaria de dois deles: Tímon de Atenas e o Rei Lear. O maior dos compositores cearenses – não se trata de exagero, ele o é, – afastou-se tudo e de todos e foi morar longe da cidade grande, como fizeram Tímon, por dívidas e traído pelos amigos, e o Rei Lear, enlouquecido pela ingratidão filial. Estive com Belchior em um fim de semana inteiro, em julho de 2003, trouxe-o, mediante contrato, a Brasília para fazer um show em comemoração ao aniversário de um amigo. Ele não me pareceu um artista que desse ouvidos a qualquer pessoa. Ficou no camarim bebendo...

José Mayer e a Luxúria abr10

José Mayer e a Luxúria

Se José Mayer tivesse lido o soneto 129 de Shakespeare, saberia que “A luxúria é perjura, assassina, sanguinária, culpada, selvagem, extrema, rude, cruel e desleal”. “Que é uma isca lançada para enlouquecer a presa”. E que “depois de desfrutada é desprezada e esquecida”. E que, finalmente, pode “conduzir ao inferno”. Ou seja, o inferno astral que ele está vivendo hoje e do qual vai demorar um bocado para sair. Talvez não devesse falar mais do caso José Mayer, vítima da luxúria, a “concupiscência da carne”, para usar uma expressão de Shakespeare, já que não é bom alardear ou tripudiar sobre as desgraças...

Giannetti e Caliban mar21

Giannetti e Caliban

Giannetti e Caliban Atraído pela publicidade do livro Trópicos Utópicos, do filósofo Eduardo Giannetti, dirigi-me à livraria, como faço quase todos os sábados, para comprar um exemplar e ver os lançamentos da semana. Quando vi o livrinho – de ensaios – o mesmo gênero literário a que me dedico, fiz, como de costume, quando pego um livro que vou adquirir, procurar Shakespeare dentro dele. E, como imaginei, Shakespeare estava lá – ninguém escapa de Shakespeare – no ensaio 86, denominado Caliban e seu duplo. Os ensaios do livro são todos curtos, alguns, aforismos. O ensaio sobre Caliban não chega a cinquenta linhas. Li-o em...

Sobre Máscaras nov20

Sobre Máscaras

A pior cara do egoísmo é aquela que se esconde atrás da máscara de uma suposta humildade. Dos sujeitos centrados no próprio umbigo, jeito de santo, seguidores da máxima de Shakespeare, em Júlio César, falando de Cícero: “Não faz nada que seja começado por outros homens”. E ainda pior, querem que todos àqueles que lhe são próximos sejam pautados por seus hábitos e desejos! Fora com eles!