Sobre a Loucura dos loucos

Talvez nenhuma palavra em toda a literatura mundial tenha tão vasta galeria de adjetivos, significações, menções e estudos do que Loucura, esse produto da natureza humana de conteúdo dúbio que provoca tanta dor e sofrimento e também manifestações de alegria e êxtase. Tanto é que o Teatro, a representação da vida no palco, foi por quase toda vida, desde a Grécia antiga, dividido em tragédias e comédias, ou seja, humor e dor. Apenas mais recentemente é que se passou a utilizar a palavra drama como narrativa de nossas existências.  Não é por coincidência que duas obras máximas da literatura mundial, Hamlet e Dom Quixote, versem sobre a loucura. Loucura que liberta e loucura que destrói.

Digo isso porque estamos vivendo no momento presente sob o signo da loucura, e loucura sinistra, perversa, malévola, irresponsável. E não aquela loucura dos palhaços, dos comediantes, daqueles que enfrentam o mal abertamente, “oferecendo a cara pra bater” em nome de uma causa, dos destemidos que são chamados de “corajosos de tão loucos que são”, daqueles que se jogam na vida enfrentando obstáculos, subindo montanhas, mergulhando no mar profundo, fazendo acrobacias impossíveis, daqueles que enfrentam perigos sem pestanejar… Esses são os loucos que amamos. E não os loucos ignorantes e malvados que agem como animais selvagens.

Até muito pouco tempo, acreditava-se que nossa vida era regida pelos astros: estrelas, planetas, o sol e a lua. Estão ainda por aí, nos jornais, na TV, a astrologia e seus astrólogos para comprovar isso. Os signos do zodíaco ainda são uma realidade. Até o início do século XVIII, quase todos os reis tinham seu astrólogo oficial, e eles não tomavam nenhuma decisão importante sem antes consultá-los. A passagem de um cometa era considerada um sinal dos céus.

Hoje temos a ciência para tratar da irracionalidade, da loucura, da insanidade mental. E seus ramos são vários: neurologia, psiquiatria, psicologia, psicanálise… Todas elas divididas em várias correntes e vertentes que procuram dar ao ser humano um pouco de equilíbrio. Mas não é fácil entender a mente humana. Todos os dias nos deparamos com histórias aberrantes protagonizadas por homens e mulheres nesse mundo confuso. No século XX usávamos a expressão “Freud explica!” para resumir a questão.

Os loucos que me interessam aqui são aqueles que se recusam a tomar a vacina. A não se vacinar. Como pode isso? Semana passada participei de uma reunião de trabalho remota, cujo tema era a volta da instituição ao trabalho presencial. Foi quando entrou um colega declarando que, independentemente de qualquer decisão que fosse tomada pela direção da nossa instituição, ele não iria se vacinar. E que ninguém lhe perguntasse o por quê? Disse isso com toda a tranquilidade, sem arrogância, “numa boa”. Ficamos perplexos!

Citei o caso desse indivíduo, mas a quantidade de gente que tem a mesma opinião é enorme. Os EUA e a França estão sofrendo muito com isso. Temos agora o caso do maior guitarrista de todos os tempos, o cantor e compositor, ídolo do Rock and Roll, Eric Clapton, 78 anos de idade, que se recusa a fazer shows onde exijam passaporte de vacina. Por conta disso está sendo rejeitado por todo mundo. Ele quer sair da Inglaterra por conta disso. Quanta loucura! O que é que custa tomar uma agulhada de 5 segundos?

Pergunto, essas pessoas sabem que elas tomaram pelo menos 13 vacinas quando eram crianças? BCG, VIP-VOP, HPV, Rotavírus, Meningite, Varíola e outras. E que sem elas dificilmente estariam vivas hoje! Se há um vírus agindo dentro de você, e que vai matá-lo, a ciência vai por um antígeno lá dentro para combatê-lo. Simples assim. Não podemos aceitar o discurso “Cada doido com sua mania”, nada disso, trata-se de insanidade mental, insanidade criminosa. O direito coletivo prevalece sobre o individual. Portanto, no momento em que minhas escolhas podem matar outrem, o Estado deve agir e punir os loucos que põem em perigo a vida da coletividade.

Disse Eurípedes “Os deuses enlouquecem primeiro aqueles a quem querem destruir”.  Por isso que o Rei Lear, de Shakespeare, grita para si mesmo: “Oh, não me deixeis ficar louco, não me deixeis, doce céu! Conservai-me a razão! Não quero ficar louco”. Vade retro, Satanás!