Vai que é tua, Bolsonaro!

Finalmente chegamos ao pavoroso número de 500.000 mil mortes de Covid-19, cumprindo a primeira etapa da meta tão ardorosamente perseguida pelo Presidente Jair Bolsonaro e seu governo, nesses quase 500 dias de agonia e horror. O mundo todo sabe que Bolsonaro tomou todas as medidas necessárias para que isso ocorresse. Senão vejamos: chamou a doença de “gripezinha”, recusou-se a comprar vacinas, refutou o uso de máscaras, aglomerou o tempo todo, disse que quem tomasse vacinas viraria jacaré, adotou e recomendou o uso de cloroquina como tratamento prévio, refutou tudo que foi recomendado pelos cientistas e pelo resto do mundo no combate à doença, teve quatro ministros da saúde e obrigou a todos os membros do seu governo a agirem conforme suas ordens.  Diante de tanta dedicação e pertinácia, só podemos gritar, como Galvão Bueno, quando Taffarel salvava o Brasil diante de um pênalti cobrado: “Vai que é tua, Bolsonaro!”. Não fosse a persistência de Bolsonaro, esse número talvez não chegasse a 250.000 mortos. Portanto, o mérito é dele, a vitória é dele, e ninguém pode lhe tirar essa conquista macabra.

É normal prefeitos, governadores, chefes de estado, administradores públicos posarem para fotos, vídeos, out doors ao lado das obras que executaram, e aquilo fica como marca de seus governos. É como Juscelino Kubitscheck, em sua célebre foto, tirando o chapéu ao lado da praça dos três poderes comemorando a inauguração de Brasília. No caso de Bolsonaro, que está sempre com ar de deboche, sorriso no rosto, soltando piadas, passeando de moto, enquanto hospitais e cemitérios estão lotados de doentes e mortos, e pessoas chorando e se lamentando pelas perdas de seus familiares e amigos, não fica bem um governante tirar fotos ao lado de desgraças. Por isso que ele não o fez ainda, muito embora não apresente qualquer dificuldade para ele, pois o faria sem qualquer constrangimento, dizendo ainda que aquelas pessoas morreram porque não tomaram cloroquina.

Sei que eu sou apenas mais um entre os muitos jornalistas, em todos os orgãos de imprensa, e na mídia em geral, e milhões de pessoas, na verdade, que estão repercutindo esse número assustador, essa calamidade a que fomos expostos, esse meio milhão de mortes, – e aumentando –, nos transformando no vice-campeão mundial do campeonato da morte.

Confesso que gostaria de falar sobre outros temas, mas é impossível não se referir à pandemia, já que somos hoje o país onde mais morre gente de Covid em todo o mundo, superando até mesmo a Índia, que tem uma população mais de seis vezes maior que a nossa. O índice de contaminação também permanece o maior do planeta, e só vacinamos 12% da população, com duas doses. É um horror! Como falar de Copa América numa hora dessas?

O fato é que, hoje, dado a mediocridade da Seleção Brasileira de Futebol, que “Não ganha nada de ninguém”, estigmatizada como “geração Neymar”, que protagonizou o maior vexame da história das copas do mundo, o massacre de 7 X 1 pela seleção germânica, dentro de casa, nos faz apenas lembrar o grito de Galvão Bueno, não como uma conquista, uma vitória, um ato de orgulho, mas como um horroroso grito de dor.

Que as palavras de Shakespeare, ditas por Fortimbrás, na cena final de Hamlet,  ecoem nos ouvidos de Bolsonaro: “Este monte de mortes proclama que houve aqui um massacre! Ó, morte orgulhosa, que festim está sendo preparado em tua em teu eterno antro, para que assim de um golpe hajas derrubado tão ferozmente tantos príncipes?”. Massacre, massacre foi isso que Bolsonaro cometeu, um massacre, um genocídio! E o Tribunal Penal Internacional de Haia vai julgá-lo por isso. Podem escrever aí!