A Peste Bolsonarista

William Shakespeare estava certo, quando disse, em Hamlet, que: “As desgraças nunca vêm sozinhas, mas aos batalhões”, confrontando o ditado popular de que “Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar”. Cai, sim! Já que dois deles, terrivelmente mortais, de nome Coronavírus e Bolsonavírus, despencaram sobre o Brasil, provocando uma onda de destruição nunca antes vista no país. A peste do Covid está matando todo mundo a olhos vistos, e a outra praga é o presidente da República, com sua política abertamente assassina, que nega a existência da doença. O Brasil está se aproximando de meio milhão de mortos e quinze milhões de infectados. Mesmo assim, Bolsonaro continua pregando o ódio e a divisão do país, incentivando aglomerações, indicando remédios fajutos, zombando do sofrimento do povo. Faz isso porque sabe que, quando a peste acabar, ele vai junto.

Não bastasse todo o discurso odiento, seus filhos e mais uma matilha de doentes mentais criaram um governo paralelo, denominado pela imprensa de Gabinete do ódio. Ele conta ainda com uma parcela razoável da população que lhe dá apoio participando de passeatas e disseminando fake news. Quase todos os membros de seu governo mimetizam e reproduzem tudo aquilo que ele diz e faz para, assim, continuarem a obter os benefícios do poder que seus cargos lhes dão. Aqueles que titubeiam a cumprir suas ordens loucas, ou não reproduzam seu discurso e práticas destruidoras, ele os chuta para o alto sem qualquer pudor ou consideração.

Bolsonaro está destruindo abertamente as instituições brasileiras: ministérios, secretárias, polícia federal, autarquias, órgãos de cultura, agências reguladoras, Funai, SUS, Ibama, PGR, AGU, fundações e muitos outros órgãos governamentais e do Estado. Ele simplesmente coloca lá, não administradores, mas sabotadores encarregados por ele para destruir essas instituições. Segundo sua visão, o Estado brasileiro está tomado por comunistas e, portanto, seu pessoal deve trabalhar para desestruturar esses mecanismos.

E tem algo ainda mais grave. O Capitão, expulso do exército, resolveu, numa espécie de vingança ambígua, trazer para o governo uma quantidade enorme de militares: generais coronéis, tenentes, sargentos, entregando-lhes órgãos vitais da administração. O que vem se revelando uma catástrofe. E por quê? Todo mundo sabe que militares são feitos para obedecer ordens. Que o mundo deles  é completamente diferente da vida civil. Lugar de militar é na caserna, no quartel, já que foram treinados para proteger a nação, nossas fronteiras de invasões, guerras etc. Militar foi treinado para a guerra. Em nenhum país dito civilizado militares participam do governo. Basta ver EUA, França, Inglaterra, Itália e muitos e muitos outros países. Já, nas Repúblicas de Bananas, militares acabam virando ditadores. Que, na verdade, é isso que ele quer mesmo, transformar-se num ditador. Coisa que o exército brasileiro não quer. Isso ficou claro quando todos os comandantes militares pediram exoneração de seus cargos dias atrás. Mesmo assim, ele aposta em uma meia dúzia de militares truculentos, e na escória que o apoia país afora.

Militares têm um mundo particular: o quartel. São como Otelo, o general criado por Shakespeare, que, manipulado por um bandido, matou sua fiel e amada mulher por conta de um lenço roubado. Simplesmente porque Otelo não conhecia a vida civil, pois foi preparado para lutar, guerrear e não para ser governador em meio a homens que não batem continência.

O maior exemplo do desastre dos militares nesse governo é o do general Eduardo Pazuello, um sujeito completamente tapado que ocupou o Ministério da Saúde no auge da pandemia. Sua passagem pelo ministério foi uma desgraça, uma calamidade que catapultou a doença. Isso porque ele apenas cumpria as ordens de Bolsonaro, ou seja, sabotava as ações do Ministério. Ele caiu em desgraça e está completamente desmoralizado. Ameaçado de ser preso pela CPI do Covid, está se escondendo covardemente, protelando sua ida à comissão.

E assim, uma sucessão de desastres ocorre todos os dias no Brasil. A pergunta que nos fazemos agora é: até quando aguentaremos a peste Bolsonarista? Talvez a única resposta seja: uma vacina chamada Impeachment! A CPI do Covid e o “Tratoraço” vão cuidar disso.