Sobre Pastores e Fariseus set23

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Sobre Pastores e Fariseus

O caso da deputada pastora Flordelis, chamada de Flor de Lis, que, juntamente com os filhos e neto, matou o marido, também pastor, numa trama macabra, que envolve tentativas de envenenamento, sexo, dinheiro, relações incestuosas entre várias outras monstruosidades, causou espanto e asco em todo o país. Outro caso foi o do pastor Everaldo, político muito poderoso, que foi preso juntamente com dois filhos acusados de roubalheira, de corrupção generalizada, teve destaque em toda a mídia. O prefeito do Rio de Janeiro, pastor Marcelo Crivella, sobrinho do “bispo” Edir Macedo, sofreu um pedido de impeachment por causa de seus chamados Guardiões do Crivella, milicianos trogloditas que ficam em portas de hospitais públicos do Rio agredindo a imprensa e pessoas que procuram atendimento médico. Trata-se de fascismo puro, para não dizer coisa típica de nazistas, hitleristas, sem exagero.

Esses comportamentos criminosos desses “crentes e pastores”, envolvidos em bestialidades as mais diversas, como os exemplos citados, agindo como demônios e não como cristãos civilizados estão causando repulsa em boa parte da sociedade brasileira, com ecos fortíssimos na imprensa e nas redes sociais. Está se perpetuando uma visão extremamente negativa dessas pessoas. Os ataques estão vindo de todos os lugares.

Não há dúvida de que toda essa sujeira tem a ver com o fato de os “evangélicos” terem entrado para a política, conquistando mandatos populares. Cento e noventa e cinco parlamentares de uma bancada de quinhentos e treze deputados federais se declaram evangélicos: é uma lástima quando religião se mistura com política. Muito embora, tenhamos de concordar que toda essa reação agressiva aos evangélicos, crentes, pentecostais, e outros grupos cristãos, que se comportam como fariseus, pregando uma coisa e fazendo outra, faz com que muita gente generalize e ache que todas essas pessoas são pervertidas, o que não é verdade.

Desde quando, em 1517, o frade Martinho Lutero (Martin Luther), cansado da corrupção de Roma, pregou suas noventa e cinco teses na porta da catedral de Witemberg, Alemanha, criticando a venda de indulgências, a compra do perdão divino após a morte, a garantia de que sua alma não iria para o inferno, o Cristianismo foi passando por rupturas ao longo do tempo. A chamada Reforma Protestante foi uma das mais impactantes mudanças na ordem mundial. Fato que provocou guerras brutais e cismas durante séculos. E perdura até hoje.

Num país de maioria católica, quase todos os protestantes, luteranos, são vistos como “crentes” Atribuímos o fato de que muita gente abomine os “evangélicos” é que é muito fácil ser “pastor”. Todo e qualquer pilantra que põe uma Bíblia debaixo do braço e decora dois ou três de seus versículos se diz pastor, funda uma igreja e passa a aplicar golpes nos mais fracos: pobres, desesperados dispostos a se agarrar a qualquer fio de esperança que apareça. E o Brasil é o país dos miseráveis, fruto de uma elite corrupta e perversa que continua dando as cartas. Pobre Brasil. Muito embora a criminalidade de religiosos não seja privilégio do Brasil.

Mas podemos afirmar que a grande maioria dos verdadeiros pastores e fiéis dessas igrejas são homens de bem e “tementes a Deus”, pessoas que realmente professam a fé em Cristo e levam conforto espiritual a pessoas carentes e desesperadas. Não temos dúvidas em dizer que a mensagem que Jesus Cristo trouxe para a humanidade nos transformou em homens melhores, nos deu consolo, aplacando as nossas dores.

Hoje os chamados evangélicos já são quase 40% da população brasileira, isso em um país que há pouco mais de 50 anos era quase 100% católico. Eu diria que o que tem contribuído para a perversão de muitos evangélicos brasileiros são três fatores: o comportamento farisaico de muitos deles, que querem parecer santos, a ligação com a política e a teoria da prosperidade: dinheiro a qualquer custo: o slogan “Jesus te ama e quer te ver rico”. Ou seja, a perseguição doentia pela “Prostituta amarela”, do dinheiro que “Une e dissolve religiões e suborna vossos sacerdotes” de que fala Shakespeare, em Tímon de Atenas. Acho que é por aí.