Que Vergonha, Tio Sam

O Século americano parece estar passando. Enquanto a economia da China cresce, a dos EUA desce. Já não há mais dúvida de que o eixo de poder está se deslocando para o extremo oriente. O crescimento da China é assustador e irrefreável. Já a descida do colosso americano tem o dedo de Donald Trump, o fanfarrão dono de cassinos, o pior presidente que o país já teve. Esse semeador de ódio e discórdia está massacrando a superpotência. No momento em que escrevo, oitenta e um cientistas americanos laureados com o Prêmio Nobel de física, química e medicina repudiaram sua política e declararam apoio ao candidato democrata. Eles sabem que Trump é um negacionista, um criminoso inimigo da ciência.

A pandemia de Peste está escancarando os buracos na estrutura da grande nação. Quando comparamos a quantidade de mortos nos EUA com a de outros países e, mesmo de continentes, nos assustamos com os números americanos. Os Estados Unidos, hoje, têm quase duzentos mil mortos pelo Covid. Esse número pavoroso cresce todos os dias, e Trump minimizou todo o tempo o impacto mortal da doença. O número de americanos mortos é doze vezes maior do que o de mortos da Rússia; duzentas vezes o da China, tendo como base a proporcionalidade das populações. Cito Rússia e China porque são os seus maiores rivais, o do passado e o do presente, na corrida pela supremacia mundial. Os EUA têm hoje 330 milhões de habitantes, e os continentes Ásia e África, excluindo a Índia, quatro bilhões de habitantes. Pois bem, o Tio Sam, para usar um de seus apelidos, tem trezes vezes mais mortos por Covid do que a soma desses dois continentes. Um escândalo! Apenas Nova York tem mais mortos do que a África inteira. “Shame on youé uma expressão em língua inglesa que significa “Que vergonha”, ou ainda, “Que coisa mais feia”!

Sabemos que números, estatísticas são sempre complexos, escondem verdades, pois precisam ser vistos e esmiuçados com lupa. Mesmo assim, nos dizem muito, e os que estão expostos aqui, põem a nu o império americano, dizendo que ela não consegue proteger a vida de seus cidadãos. Sabemos que os EUA é um país dividido desde a guerra civil, provocada pela questão racial, que terminou em 1865, matando mais de seiscentos mil americanos. Essa divisão política persiste até hoje. Um ódio que não sara.

Os sinais de fragilidade dos americanos são diversos.  Há conflitos raciais reais, e os criados para influenciar as eleições. Esses conflitos, além do caos gerado, estão paralisando a polícia, causando muito sofrimento e tornando o país um inferno. Sabemos que as democracias sofrem crises de tempos em tempos, mas essa de agora é terrível. Trump já falou em adiar as eleições e, até mesmo a admitir que não acataria o resultado das urnas. A Rússia, com seus hackers, interfere nos EUA todos os dias. Algo inaceitável no país da democracia. Quando a Academia de Hollywood deu o Oscar deste ano para o fraquíssimo filme sul coreano, de nome sugestivo, Parasita, o primeiro filme estrangeiro fora do circuito EUA/Europa a ganhar o prêmio máximo do cinema americano foi como se fosse uma premonição do que está por vir. É como se a América reconhecesse de forma inconsciente, como um ato falho, que um de seus maiores legados, o cartão de visitas, os grandes filmes de Hollywood, que conquistaram o mundo nos últimos cem anos terminaram. Ah, outra coisa, o celular Huawei, da China e o Samsung da Coréia do Sul são iguais ao IPhone, da Apple. E tem a questão do 5G. O grande império está perdendo a vanguarda.

Que ninguém ache que estou feliz com o que está acontecendo com os USA. Sou cristão ocidental, e luto pelos nossos valores de fé cristã, democracia e liberdade de pensamento. A riqueza avassaladora, a pujança, a força, o Sonho Americano, o “Americam Dream”, de prosperidade e trabalho para todos é admirável. Mas é que não podemos fechar os olhos para o show de horrores que está ocorrendo nos EUA. Duzentos mil mortos, não dá para engolir. Portanto, não posso deixar de gritar: “Shame on you”, que coisa mais feia, Tio Sam!