Sobre a Peste e o egoísmo

Há quem diga, e não são poucos, que a epidemia vai deixar a humanidade mais solidária, mais “humana”, mais generosa, depois que a Peste passar. Adoraria que isso fosse verdade, mas, infelizmente, não estou vendo essa possibilidade, até porque não estou vendo muita solidariedade agora. Pelo contrário, mesmo que pessoas estejam morrendo como moscas, administradores públicos em conluio com empresários e políticos continuam saqueando os cofres públicos. A cúpula da Secretaria de Saúde do Rio e vários homens de negócios acabaram de ser presos por comprar máscaras e respiradores superfaturados por quase um bilhão de reais! Isso não é roubo, é assassinato! Roubar dinheiro de respiradores, nesse momento, é cometer assassínio.

E casos semelhantes estão se sucedendo Brasil afora. Os perversos estão roubando nas sombras, aproveitando o mundo virtual porque é aparentemente mais fácil do que no mundo presencial! Se administradores públicos e empresários, mancomunados com políticos, estão agindo assim, no ápice da tragédia, como mudarão seu comportamento criminoso no futuro?  A escuridão é o melhor ambiente para os ladrões. E esse ambiente voltou. Ficou mais difícil enxergar os assaltos virtuais nesses tempos sombrios! O ministro do meio ambiente disse que a pandemia é oportunidade para “passar de boiada”. Vejam de onde vem o exemplo.

É lamentável que as pessoas não tenham um mínimo de sensibilidade com o sofrimento alheio! Para esses “Monstros do coração de mármore” a pobreza é fruto de preguiça, incompetência, desleixo… Como se não vivêssemos num país injusto, desigual. São esses egoístas que ajudaram a criar essa situação de desigualdade no Brasil! Não dão nada aos pobres alegando que “O que é meu, é meu. Foi construído com o fruto do meu suor, quem quiser que trabalhe”.  É assim que esses monstros insensíveis, enclausurados, fechados no egoísmo se expressam. E não se trata de uma minoria, mas sim de uma parcela gigantesca da sociedade brasileira!

E tem a turma dos omissos, os indiferentes, aquele povo que não fala com ninguém, que não quer ser visto, vive na sombra, se escondendo pelos cantos. Um bando de  covardes incrustado na classe média mesmo, a indiferença não é privilégio dos ricos. Somos cercados por gente que “Não dá esmola a um cego”. Maquiavel diz que “Os homens são “ingratos, volúveis, dissimulados, tementes do perigo e ambiciosos”. Sim, mas achamos que num momento de exceção, de terrível sofrimento, esses comportamentos pudessem arrefecer. Pelo contrário, houve um recrudescimento. As pessoas continuam blefando, mentindo, conspirando, traindo, roubando, fazendo o mal…

Sim, temos muitos exemplos de gente fazendo caridade. Cantores fazendo os famosos Lives arrecadando donativos, instituições fazendo doação de cestas básicas, empresas privadas, ONGs,  Sindicatos de Servidores Públicos e bancos fazendo generosas doações… Mas é ainda é pouco! Estamos longe do comportamento de boa parte do mundo, onde vemos exemplos de generosidade, de caridade entre seus cidadãos. Precisamos doar mais! Filantropia é algo que não existe no Brasil! O brasileiro não é solidário. Falta-lhe senso de comunidade. Vejam que não estou falando dos fanáticos, negacionistas e perversos que trabalham contra o Lockdown e empestam às ruas e redes com o vírus do ódio! Também não falei da cachorrada exposta no infame vídeo da reunião presidencial, que envergonha o Brasil!

Shakespeare diz que “A teia de nossa vida é tecida, ao mesmo tempo, com o bem e o mal. Nossas virtudes seriam orgulhosas se não fossem flageladas pelas nossas faltas; e nossos vícios nos levariam à exasperação se não fossem compensados por nossas virtudes”. Infelizmente, nesse momento, as faltas e os vícios estão imperando sobre a virtude, e o Bem está sendo flagelando pelo Mal! Gostaria de ser mais otimista, mas, infelizmente, como já disse, não tenho razão para isso. A realidade fala mais alto. Embora as coisas sempre possam mudar!

Afirmo que o Egoísmo, nesse momento, mata mais do que a Peste em si, e que o número de pessoas empestadas pelo Egoísmo é infinitamente maior do que os infectados por Covid-19! Duvidam? “Olhai à vossa volta”, e digam se estou errado! E fiquemos em casa!

 

 

Regina Duarte, A Deusa Vencida

 

Na peça Muito Barulho por Nada, Shakespeare diz que “Uns nascem grandes; alguns adquirem a grandeza e a outros a grandeza vem ao encontro”. O príncipe Charles, da Inglaterra, já nasceu grande, não precisou fazer quase nada para ser quem é; Bill Gates, o homem mais rico do mundo, adquiriu a grandeza como empresário, fabricando softwares; já a atriz brasileira Regina Duarte, se enquadra na terceira assertiva: a grandeza veio ao encontro, já que não precisou fazer muito para ser a atriz mais amada do Brasil, por mais de cinquenta anos!

Regina Duarte é uma mulher abençoada por Deus, daquelas raras pessoas que nascem com carisma, predestinadas ao sucesso, a ser estrela. Regina não estudou muito a arte da interpretação, para chegar ao estrelato. Quando digo que não precisou fazer muito é porque ela é daquelas pessoas cheias de encanto pessoal, que brilham sem fazer muito esforço. Com suas dezenas de novelas e papéis memoráveis, Regina transformou-se no rosto mais conhecido da TV brasileira, desde 1968, como superstar da Rede Globo de Televisão, e suas novelas que dominam a TV brasileira.

Protagonista de papéis românticos, cômicos, como viúva Porcina, Simone (em Selva de Pedra), Malu (na série Malu Mulher), Clô Hayalla (segundo ela, seu maior papel), dona de um sorriso cativante, belo e acolhedor – ela parece estar sempre sorrindo –, ar maternal. Regina encarna a amiga, a irmã que queríamos ter, ou a nora que muitos pais desejam para seus filhos. Não foi à toa que ela recebeu o apelido, o título de Namoradinha do Brasil. Por que isso? Simplesmente porque o Brasil inteiro namora, ama a cativante Regina Duarte!

Com 73 anos de idade, Regina tem a aparência de uma mulher de 55 anos, no máximo, é “inteiraça” para usar um termo popular. Regina é mãe, avó, amada pelos brasileiros, grande atriz, enfim uma “mulher realizada”, que chegou à velhice coberta de glórias, e também de dinheiro, fruto dos seus 55 anos de carreira, recebendo altíssimos salários, até mesmo sem trabalhar! Perguntamos: “O que diabos essa mulher pode querer mais”?

Pois muito bem, não é que essa mulher encantadora, poderosa, idolatrada pelo povo, já caminhando para a cena final, não resolveu se “meter com o poder”, assumir o posto de Secretaria de Cultura, ministra, na verdade, do pior governo da história do Brasil!? Como isso é possível? Como que “alguém realizado”, que cumpriu sua missão, que interpretou tantos papéis, vai se meter com política, a mais difícil, incompreendida, perversa e suja das atividades humanas?! Exatamente na hora de descansar! E Regina nunca foi uma atriz de dar opiniões, ou fazer o tipo intelectual! Muita gente acha que foi ser ministra por busca por Poder. Tenho certeza que não foi!

Não foi preciso assistir a desastrada e horrorosa entrevista que Regina deu a Rede CNN – embora o entrevistador e os apresentadores fossem muito ruins – nos últimos dias, para que eu fizesse meu juízo. Eu já sabia que seria aquilo mesmo!

“Freud Explica”, quem não lembra dessa sentença usada à exaustão por quase um século! Pois muito bem, Regina Duarte é filha de um cearense oficial do exército brasileiro. Ou seja, a mesma ocupação de Jair Bolsonaro, o perverso que agora ocupa a presidência da República. Regina Duarte disse várias vezes que Bolsonaro lembra muito o seu pai. Daí, concluo e repito, Regina Duarte sofre de Complexo de Electra! Não encontro outra explicação para Regina Duarte sujar de sangue sua biografia! Perguntem aos psicanalistas!

Shakespeare diz em O Mercador de Veneza que “as mais brilhantes aparências podem encobrir vulgaridades”. Infelizmente, é isso que Regina Duarte é, e me dói muito dizer isso, uma mulher pobre de valores, insensível, de pouca inteligência, vulgar, e que não superou seu Complexo de Édipo! A atriz Regina Duarte é grande, nobre quando se transforma em Porcina, Malu, Simone… Mas é pequena e pobre quando é ela mesma, a mulher Regina Duarte! Ela representa a sentença de Iago, em Otelo “Eu não sou o que sou”. É curioso que o primeiro papel de Regina Duarte na televisão ocorreu em 1965, na novela A Deusa Vencida, na TV Excelsior. Pois não é que Regina resolveu terminar seus dias representando novamente esse mesmo papel! É isso, Regina Duarte  é a Deusa Vencida! Que tragédia!