SOBRE ÍDOLOS E IDIOTAS

Francis Bacon, o pai da ciência moderna, foi chamado pelos estudiosos de “O último dos antigos, e o primeiro dos modernos”! Seu livro “Novum Organum”, ou Novo Instrumento, assentou as bases da ciência no início do século XVII. Foi Bacon quem nos legou o método indutivo de investigação científica.

Ficou pouco de sua filosofia, mas o que sobrou é genial. Trata-se de uma acurada e perfeita análise de uma faceta do comportamento humano. Sua tese responde integralmente a uma pergunta que fazemos a nós mesmos todos dias. A pergunta é a seguinte: como que pessoas de culturas diversas, sejam iletradas ou de alto nível educacional, podem emitir opiniões, defender causas absurdas e ilógicas que são contrárias aos fatos, ciência, opinião de especialistas, enfim, da Razão, chocando-nos! Por que essas pessoas se recusam a aceitar a verdade!? Como que alguém nos dias de hoje pode defender ou elogiar Adolf Hitler, Stalin ou afirmar que a terra é plana e que o homem não foi à lua!?

Pois muito bem, Bacon tem a resposta: trata-se da Teoria dos Ídolos. Segundo Bacon, os ídolos são noções falsas que se alojam no intelecto humano e obstruem o acesso à verdade. Bacon emprega a palavra ídolo porque esta remete à ideia de um falso Deus ou de um Ídolo. A palavra idola, tanto em grego quanto em latim, significa imagem. Assim, o enfeitiçamento dos homens perante a divindade é semelhante ao que ocorre com os seres que estão presos às suas vontades, interpretações, ideias e preconceitos.

Dos quatro gêneros de Ídolo que ele descreveu, o que nos interessa é o Ídolo da Caverna. Os personagens da famosa Alegoria da Caverna, de Platão.  Trata-se daquele sujeito que se esconde em uma espécie de caverna ou uma cova, que intercepta e modifica a luz da natureza. Isso por causa da educação que recebeu ou de conversação com os outros, seja pela leitura de livros ou pela autoridade daqueles que respeitam e admiram. Dessa forma, os ídolos da Caverna, comportam-se assim por hábitos cultivados, pela educação que recebeu ou pelas pessoas com quem conviveu. Isso não é genial? Portanto, acostumem-se com esse tipo de idiota da caverna, já que nos deparamos com eles todos os dias, seja na família, no trabalho, em conversas sobre futebol, nos bares e restaurantes, na Universidade… Para esses sujeitos, nada do que dissermos ou falarmos mudará sua opinião. Ele são pautados ou contaminados pelo seu grupo de convivência.

 

A humanidade passa por um dos momentos mais difíceis de sua existência. Estamos sendo aterrorizados e destruídos por uma Epidemia de Peste avassaladora, semelhante às muitas que ocorreram no passado. E a ciência, com todo seu poder de combate, ainda não conseguiu debelá-la! Por isso que eu trouxe a teoria dos ídolos! Porque vejo que estamos cercados de Idiotas e Idólatras, de indivíduos, que nessas horas dificílimas, de completo terror, se negam a aceitar a voz da Ciência e mesmo da Religião, da Fé, de conselhos de cientistas, médicos, autoridades sanitárias, padres, pastores, o Papa… Se recusando a aceitar a voz da razão! Vejam as Redes sociais, a quantidade de estupidez que encontramos ali! Como que alguém se recusa a cumprir distanciamento, isolamento, num momento desses!?

Estamos cercados de idiotas e idólatras por todos os lados, no mundo real e virtual, em que eles vivem criando e replicando notas estúpidas, como se estivessem presos em uma caverna e não vissem o que ocorre do lado de fora. Sei que estamos num momento em que precisamos de união, de oração, de comunhão em nome da sobrevivência da humanidade. Mas é impossível aceitar esses comportamentos destrutivos, perversos e assassinos.

Veja o que Shakespeare pensa sobre um idiota: “Esse sujeito tem tantos miolos quanto eu tenho no meu cotovelo”. Pois “Usa o espírito no ventre, e o ventre na cabeça”. Já que “Tem tanto cérebro quanto cera nos ouvidos”.

É isso! Fora com os Idiotas! Orai e Vigiai! E vamos ficar em casa!

Publicado por

Theofilo Silva

Theófilo Silva é ensaista e palestrante. Autor dos livros A Paixão Segundo Shakespeare e Shakespeare Indignado. Realiza palestras em todo o Brasil sobre William Shakespeare. É também estudioso da Segunda Guerra Mundial e do Renascimento europeu!