No Ritmo do Algoritmo

A humanidade está vivendo – ou ‘dançando’– sob o ritmo do Algoritmo. É o algoritmo – no Vale do Silício – que dá o ritmo das nossas vidas nos subterrâneos do mundo virtual, das Redes sociais, as grandes produtoras de calúnias. São manipulações e mentiras oriundas da esgotosfera, o mundo dos hackers  –  os pistoleiros do século XXI –, os atores principais desse lamentável espetáculo que a humanidade está vivendo! Dessa nova era em que a mentira é a grande catalisadora. Uma era que começou no fim do século XX, mas que ainda não tem um nome! Vamos ver como é que os historiadores vão denominá-la no futuro! Um futuro bem próximo, já que as transformações são tão rápidas e violentas, que está cada vez mais difícil prever o que irá a acontecer daqui a quatro ou cinco anos, por mais que se tente especular!

Bertrand Russel, o eminente filósofo e matemático britânico – e terrivelmente polêmico e contraditório –, já dizia em seu livro, A História do Pensamento Ocidental, do final dos anos 50, que “O homem não tem como acompanhar os avanços da tecnologia. Por mais que ele tente, ela sempre andará à frente dele”. Isso foi escrito há mais de sessenta anos. Russel estava certíssimo! A tecnologia nos deu muito, constrói muito, mas desnorteou o ser humano. Hoje só se fala em inteligência artificial e seu poder avassalador, e mais, o que isso está fazendo nas relações sociais e de trabalho. Algo meio parecido com o que aconteceu nos séculos XVIII e XIX com a Revolução Industrial, na Inglaterra, que desempregou milhões de operários nas tecelagens, obrigando os trabalhadores a quebrarem as máquinas para não perderem o emprego. Hoje, só se festeja! Como tudo vem dos EUA, Coréia do Sul, Japão e alguns países da Europa, o restante das nações vão a reboque de tudo isso. A tecnologia digital emprega trabalhadores num lugar e desemprega milhões em outros. Os países menos desenvolvidos sofrem brutalmente com esses choques.

Em que acabará tudo isso? A China cresce num ritmo alucinante, engolindo tudo, e ameaça a hegemonia do Ocidente, dos EUA, em particular. Estamos vivendo num mundo confuso, em que as pessoas não estão conseguindo captar tantas transformações em suas vidas. O Smartfone tornou-se um apêndice do ser humano, um “Bombril de mil e uma utilidades”, tantos são os seus recursos, e ao mesmo tempo uma espécie de “carteira de cigarros”, um maço de vícios que nos transforma, em alguns momentos, em meros dependentes químicos. Embora o Smartfone, aqui no Brasil chamado de Celular, tenha barateado e facilitado ligações e conexão rápida com o mundo todo, ele também deixou as pessoas mais ansiosas, angustiadas e viciadas. Ninguém consegue se libertar dos aparelhinhos que transformaram nossa vida num inferno.

A privacidade acabou! Todo mundo está vigiado, grampeado. O assustador mundo que Aldous Huxley previu nos anos 30, com seu livro Admirável Mundo Novo parece ter chegado. Futuristas, os homens do algoritmo dizem que “A singularidade está próxima”. Que em 2045, os computadores terão ultrapassado os seres humanos em inteligência, que a inteligência artificial superou a inteligência racional, humana. Fomos superados pelas máquinas. Eles chegam a dizer que “A morte é uma mera questão técnica” que pode ser vencida – vide o best seller de Yuval Harari , Sapiens, págs 280 a 288. Não acredito nisso, e acho a análise patética, ridícula, criminosa, para dizer o mínimo, no entanto o livro é aplaudido por milhões de pessoas, entre eles Mark Zuckerberg, Bill Gates e Barack Obama.

Quem achar que não estamos vivendo uma época confusa, de autodestruição, em que guerras cruéis são travadas em espaços virtuais, está fora da realidade! O Brasil foi, e é, uma das maiores vítimas dessa novidade magnífica e aterradora. As recentes eleições presidenciais nos legaram um governo medíocre, odiento e destrutivo! O algoritmo nos presenteou com uma “cambada” de homens públicos despreparados, pessoas sem conhecimento da realidade da sociedade brasileira. O uso das novas tecnologias da informação permitiram que farsantes se comunicassem com uma legião de imbecis, analfabetos funcionais e ingênuos, que os colocaram no poder! Jair Bolsonaro flerta com o caos, produzindo agressões diárias! O preço está sendo alto demais, e a nação está “em parafuso”. Muito embora, a sem-vergonhice venha de longe, já que o poder  Judiciário não funciona nas estâncias superiores. O Supremo Tribunal Federal tornou-se um tribunal político onde Direito e Constituição não contam! A maioria dos membros do STF está pouco preocupada com as leis e em fazer justiça, o objetivo é manter o “status quo”, ou seja, permitir que a corrupção seja a regra no país, e vigore a política de celas vazias para ladrões engravatados. Há um pacto com os políticos corruptos para que o Brasil continue sendo um dos países mais injustos do mundo!

Quero informar que a sentença Admirável Mundo Novo pertence a Shakespeare. Está em A Tempestade, escrita em 1612, peça ambientada em uma ilha totalmente isolada, em que uma jovem, ao entrar em contato com marinheiros desconhecidos, vislumbra uma nova sociedade. Quatrocentos anos depois, o que estamos vendo é um mundo diferente, complicado e confuso, um daqueles pavorosos períodos que aparecem em ondas de tempos em tempos e flagelam nossa existência! O admirável mundo do Algoritmo não nos faz mais felizes! Diria que seu controle está nas mãos de muitos poucos, e esse muitos poucos parecem não querer um mundo melhor. Ou se querem, não conseguem controlar o seu poder! É isso que me parece!