Neymar Cai Cai jul14

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Neymar Cai Cai

Pobre e infeliz Neymar, seus esforços sobre-humanos para transformar o futebol brasileiro no melhor do mundo estão torturando-o ao ponto de sofrer ataques que quase o mataram na semana passada. Pelo menos, foi isso que disse a Placar, a revista de esportes mais importante do país, sobre aquele que foi eleito o Novo Messias pela crônica esportiva brasileira. O “menino” Neymar foi comparado a Jesus Cristo, e está sofrendo as mesmas dores que o filho de Deus sofreu na cruz.

Não satisfeitos em terem transformado Neymar no maior fenômeno de marketing da história, festejando-o muito mais do que Pelé, no passado, muito embora o rapaz não tenha feito uma única façanha internacional pelo nosso futebol, eles agora querem preservá-lo da Seleção Brasileira. Daí que ele está sendo sacrificado igual a Jesus.

Muito embora o “menino” do Santos receba 100 mil reais por dia – a quantia é exatamente essa, 100 mil reais todo dia – de salário, e viva como um rei. Seus protetores, que o transformaram num produto extremamente lucrativo, acham que a maratona de jogos que ele está enfrentando é demais para ele, e isso pode matá-lo. Estão protegendo seu investimento. Mesmo que a maratona seja a mesma que enfrentam outros craques brasileiros.

A figura mais aplaudida, alardeada, festejada e incensada em toda nossa história, por ser um ícone do futebol, está sendo usada e abusada pela poderosa rede da imprensa esportiva do Brasil. Todo esse aparato em torno de Neymar está sendo utilizado por essa turma para mascarar a péssima fase que atravessa o futebol brasileiro e sua Seleção – que  tornou-se um fantasma, que não mete mais medo em ninguém.

O futebol europeu avançou bastante, adotando uma sólida gestão empresarial, que deu frutos. Hoje, qualquer brasileiro sabe que estamos aquém do futebol jogado por eles. O título de Campeão Mundial de Clubes, do Barcelona, o placar de 4 X 0 – humilhante, em cima do Santos, num jogo em que Neymar não fez absolutamente nada, a não ser cair, e o argentino Messi deu show – foi uma facada no orgulho do futebol brasileiro.

Estamos construindo os estádios mais belos do mundo, a um custo estratosférico, para dar aos brasileiros o prazer de sediar uma Copa do Mundo – já que perdemos em 1950 – para mostrar ao mundo que o país encontrou o rumo do desenvolvimento, e que já não é mais uma nação qualquer. No entanto, aquela arte que encantou a todos, a razão de ser da Copa, está passando por um momento difícil. Por isso, a criação do Novo Messias, o “menino Neymar”. Até então eu não tinha percebido totalmente a gravidade do que os marketeiros tramaram. A capa da Placar veio mostrar o quanto a coisa é grave.

Posso garantir que não sou corintiano, palmeirense ou são paulino,  nem tenho raiva do Santos. Sou torcedor do humilde Ceará. Futebol também não é um assunto sobre o qual me sinto à vontade para escrever. No entanto, essa capa patética da Placar, que não mexe com meus princípios cristãos, querendo dar a um mero jogador de futebol um papel que ele não tem, não teve, e nunca terá, me assusta pelo grau da desonestidade com que foi produzida. Os sujeitos estão mostrando que não têm escrúpulo algum para promover esse rapaz, usando-o, com seu pleno consentimento, para mascarar a fase medíocre por que passa o futebol brasileiro. Por mais que tenhamos tantos cronistas de futebol no país, fazendo críticas o tempo todo.

Por fim, a Copa está chegando, o “menino” terá 22 anos em 2014. E Neymar poderá dizer a que veio. Até o momento ele demonstrou que é um produto para consumo interno. Para mim, ele ainda é o Neymar cai-cai.

Só mais uma coisa, quem deveria estar crucificado naquela armação de madeira da Placar, em forma de cruz, era o torcedor brasileiro. A vítima de todo esse embuste. E já que estamos em fase de ataques à religião, e citações bíblicas, declaro que Neymar é um “ídolo de pés de barro”, e seus promotores, fariseus!