Os Defenestrados ou a Revolta da Braguilha

A palavra defenestrado deriva de “finestra”, janela em italiano. Significa, literalmente, jogado pela janela. Ou seja, foi destruído, morto. A prática de defenestrar, matar pessoas, jogando-as pela janela, fato que pode acontecer em qualquer lugar, vem da antiga Boêmia, que no século XX virou Tchecoslováquia, e atualmente chama-se República Tcheca. Segundo o historiador Martin Gilbert, o ato de defenestração ocorreu pela primeira vez na sangrenta Guerra dos Trinta Anos, sendo repetida na Primeira e Segunda Guerras Mundiais e mesmo em outras ocasiões.

Pois muito bem, nos nossos dias, a palavra Defenestrado tem significado diferente, é usada para denominar alguém caído em desgraça. De alguém que cometeu algum tipo de vacilação moral, desvio de conduta, traição conjugal, embriaguez… É aquele indivíduo que “vacilou”, isso para usar um termo da moda. Mas a prática a qual quero me referir e, objeto desse artigo – em discussão na atualidade –, é a do cerco ao assédio sexual. A nova onda, como quase sempre, é oriunda dos E.U.A. Mais particularmente de Hollywood, o mundo do cinema americano.

A bola da vez é Harvey Weinstein, o superpoderoso produtor de Hollywood, responsável por uma enormidade de filmes, entre eles Shakespeare Apaixonado. O gigante Weinstein, ele é um homem enorme, foi acusado de assédio sexual por dezenas de atrizes do primeiro e segundo escalão da indústria. O mundo desabou na cabeça do grandalhão pervertido. Para começar, ele foi expulso da própria empresa da qual é dono, e que leva seu nome: Weistein Company. Foi proibido de trabalhar no Cinema, está enfrentando processos judiciais e acordos de leniência; foi abandonado pela mulher, pediu desculpas públicas, confessou ser um homem doente e deu início a um tratamento numa clínica para viciados em sexo – papo furado. Harvey Weinstein foi esmagado, defenestrado. É tão canalha, que contratava agentes do Mossad, o serviço secreto de Israel, inclusive, mulheres, já que ele é judeu, para vasculhar a vida de suas vítimas, possíveis delatores.

Depois do caso Weinstein, começaram a chover denúncias em Holywood. Outra vítima foi o grande e respeitado ator Kevin Spacey, desta vez por assédio homossexual a jovens atores e até a um filho de Richard Dreyfuss. Uma dezena de denúncias. É o ator principal do megassucesso House of Cards — em cima de Ricardo III, de Shakespeare – série do NETFLIX, em que interpreta o Presidente dos EUA. Spacey, não somente foi expulso de todos os programas que estava trabalhando, como também foi cortado do filme, quase pronto, em que interpreta o bilionário John Paul Getty. Um cataclisma. Confessando-se Gay, Spacey já está em tratamento em uma clínica de “viciados em sexo” e responde a vários processos judiciais. Foi amaldiçoado pela indústria para sempre,  e não se reergue mais. Foi defenestrado.

E temos Charlie Sheen, já praticamente destruído pela vida devassa que levava, é soropositivo, responde há vários processos por assédio sexual e por ter contaminado mulheres com o vírus da AIDS, foi agora acusado de ter estuprado o jovem ator Corey Haim (filme Stand By Me) em 1986. Haim tinha apenas 13 anos, e acabou se suicidando mais tarde. Silvester Stallone também foi acusado de abuso. Stallone já foi ator pornô. Aproveitando a onda, a atriz Meryl Steep, a poderosa e asquerosa – ela odeia os homens – indicada a vinte e três Oscars – resolve atacar Dustin Hofman, de forma covarde, por que “Ele teria pegado em seu seio” 40 anos atrás”. Até hoje não sei de onde vem o poder dessa mulher odienta.

É preciso punir os pervertidos, fazê-los pagar por seus crimes, embora haja muita hipocrisia nisso. Explico: Hollywood pune uns e perdoa outros. Para mim, o caso mais grave a que Hollywood silenciou é o de Woody Allen, que casou com a própria filha (adotiva) e abusou sexualmente da outra de treze anos de idade – há provas materiais. O fato foi denunciado pelo próprio filho de Allen e pela ex-mulher e mãe da criança, Mia Farrow. Mas Hollywood não disse nada para o crime imperdoável do genial psicopata, que continua fazendo filmes e gozando de enorme prestígio. Não assisto seus filmes.

E para dizer que não falei do Brasil, temos o caso do ator José Mayer, galã da Globo que atacou uma funcionária, uma maquiadora aplicando o famigerado “Ou dá ou desce”. Ele já tinha assediado várias outras. José Mayer acabou-se, foi defenestrado.

Todas essas pessoas foram, no dizer de Shakespeare, vítimas “Da rebelião de sua própria carne”, “Da rebelião de uma braguilha”, “Uma repetição imoderada, e quando bebemos morremos”, ou seja, da Luxúria. Kevin Spacey, Woody Allen, Meryl Streep e Dustin Hoffman me lembram mais uma vez o bardo de Stratford “Uns sobem à custa do pecado, outros caem por causa da virtude: alguns saem duma selva de vícios sem ter que prestar conta de nenhum deles”. É isso aí!