Atenção ladrões e outros criminosos

Atenção ladrões, corruptos, golpistas, falsificadores, estelionatários e criminosos em geral, a hora é de vocês. Aproveitem a maré! O que antes ainda era dúvida, agora é certeza. Ontem, o Supremo Tribunal Federal ao julgar o caso do senador Aécio Neves, depois de uma votação empatada em 5 x 5, sua presidente, Carmen Lúcia, liberou, com seu voto de minerva, para que o crime como conduta de vida seja um privilégio de um grupo. Basta que, para isso, adquiram um mandato popular. Ou seja, virem deputado, governador, Senador essas coisas. Com um diploma desses na mão, vocês, a partir de agora, serão uma espécie de James Bond ao contrário. Se o agente 007 tem licença para matar, vocês têm licença para roubar.

Não percam a oportunidade, juntem-se a Aécio Neves e, claro, ao presidente Michel Temer, e muitos e muitos outros. Roubem à vontade, vocês estão amparados pela constituição. O Supremo Tribunal Federal que é o guardião da carta magna, garante a imunidade. Vocês agora só poderão ser julgados pela própria quadrilha a que pertencem. Não se inibam. Não façam como Geddel Vieira Lima, que esqueceu de renovar seu mandato, e por isso está preso. Olhem para o Congresso Nacional e vejam a quantidade de ladrões bem sucedidos rindo da cara do povo. Lá tem canalha e vagabundo de todo tipo. Todos prosperando, com milhões e até bilhões na conta. Outro conselho, abram uma igreja e intitulem-se cristãos devotos, “bispos”, esse é o caminho mais rápido para chegar a um mandato popular. O Brasil está cheio de criminosos se dizendo “evangélicos”, emporcalhando o nome das verdadeiras igrejas cristãs. Não há nada melhor para um criminoso do que se esconder atrás da máscara da piedade.

Outra coisa, leiam essa pérola: “Roubai, servidores de confiança! Vossos sisudos senhores são ladrões de mangas amplas que saqueiam com a autoridade da lei”. Essa sentença foi escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare, em sua peça Tímon de Atenas, de 1608. Shakespeare falava da cidade de Atenas, que estava mergulhada na corrupção, igualzinho ao Brasil. Aqui, um personagem, Tímon, cansado da canalhice que tomou conta da cidade, amaldiçoa Atenas. E diz: “Piedade, escrúpulo, devoção, paz, justiça, verdade, deferência doméstica, cultos, ofícios, tradições, costumes e Leis perdei-vos na desordem de vossos contrários e viva o caos”. É ou não e o que o vai acontecer no Brasil daqui pra frente? Muito embora boa parte disso já aconteça! Só que agora com a chancela do Supremo Tribunal Federal. Não há nada melhor do que o caos nas leis de um país, para vocês, os ladrões, prosperarem. Portanto, mãos à obra! Roubem, roubem, roubem até cansar. Não esqueçam o exemplo de Paulo Maluf que, rouba desde criança, e já está com 88 anos, livre, rico, leve e solto. E semana passada o ministro Marco Aurélio Mello, aquele primo do Collor, o inocentou em mais um julgamento.

Assim, peço um brinde ao crime. Viva o crime! Longa vida aos ladrões! Foda-se o povo brasileiro!

 

O Massacre de Las vegas/Denver

Escrevi esse artigo tem cinco anos. Nada mudou nos E.U.A. Las Vegas tem mais de 500 lojas de venda de armas!

O massacre de Denver, nos Estados Unidos da América, é estúpido, cruel, brutal, mas, ao mesmo tempo, compreensível, e nos perguntamos por que os americanos podem ficar surpresos com essa barbárie? As lágrimas do presidente americano pelas vítimas do massacre é uma hipocrisia. O que aconteceu lá é produto de um fenômeno de dissociação de alguns que não sabem mais o que é realidade e o que é ficção.
Um jovem de cabelo pintado de vermelho entra pela porta de emergência de um Cinema, usando máscara, um colete à prova de balas, uniforme da SWAT, e armado com duas pistolas, um rifle e uma espingarda. Após gritar que é o Coringa, joga uma bomba de fumaça e abre fogo, durante vinte minutos, contra as pessoas presentes no recinto. Setenta e uma pessoas são alvejadas, doze mortas.
A chacina se deu à meia noite, durante a estreia do filme Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge – na verdade, quem surgiu mesmo foi o Coringa. Vestidos de Batman e de outros personagens do filme, inicialmente, os espectadores achavam que se tratava de uma campanha promocional, e que tudo não passava de uma simulação.
O assassino declarado é um jovem de apenas 24 anos, estudante de doutorado. Antes de cometer os crimes, ele minou seu apartamento com granadas, bombas e outros artefatos explosivos – que seriam acionadas ao abrir da porta (igualzinho aos filmes) – suficientes para explodir o prédio inteiro. Todo esse material, incluindo seis mil cartuchos de balas, pistolas Glock, rifles e escopetas foram comprados legalmente pela Internet e entregues em casa. Da mesma forma que nós compramos tênis e livros.
O sujeito agora está preso, passa o dia cuspindo nos guardas, diz que é o Coringa, e afirma que está “atuando”. Fãs do Batman estão fazendo um abaixo assinado solicitando ao ator que o interpreta, Christian Bale, para visitar a cidade, e mostrar para as crianças a existência do super-herói, para provar-lhes que o Coringa não venceu! É verdade, acreditem!
Como é que a maior democracia do mundo, o país que nos deu, e nos dá tantas coisas maravilhosas, com enorme capacidade trabalho, inventividade, criatividade pode permitir que coisas assim possam acontecer? Como é que alguém pode comprar armas e munições pelo correio? Simples, os EUA se tornaram reféns da indústria bélica há muito tempo, e não tem saída. Massacres como o de Denver – cidade famosa pelos filmes de bang bang – podem acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar e não devem surpreender ninguém.
Esse massacre não vai mudar simplesmente coisa alguma nas leis americanas sobre o controle de venda de armas. Esse povo brilhante, que discute, esmiúça e desvenda tudo, não vai mudar sua constituição por causa desses inocentes mortos. Andar armado faz parte, lamentavelmente, da cultura americana. Taí o passado dos filmes de Western de John Wayne, o gênero americano por excelência, para provar isso. O americano ama armas. Elas fazem parte do “american way of life”.
A relação dos americanos com o cinema e o mundo virtual é visceral. E Hollywood, tristemente, está cheia de indivíduos amorais: como Angelina Jolie, que veste a filha um dia de homem e outro de mulher para ela escolher o sexo o qual quer pertencer; ou de Woody Allen, o gênio feioso com jeito de psicopata, que casou com a própria filha; ou de Tom Cruise, adepto de uma seita de psicóticos endinheirados; ou do brutal Quentin Tarantino, que estetiza e faz a apologia da violência;
Talvez os americanos tenham mesmo consciência de que não podem se livrar das armas, de que um povo desarmado será vítima de loucos armados. E é uma pena que seja assim. Podemos ver, com muita tristeza, que o sonho americano, para a felicidade dos que odeiam a América, também é cheio de pesadelos.