O Brasileiro está cansado

O povo brasileiro está cansado, muito cansado de ser roubado, e sabe que tudo já foi dito e pouco foi feito para prender os ladrões encastelados no Estado brasileiro. Ladrões com títulos de deputado, senador, governador, juiz, procurador, ministro, o Presidente da República etc. continuam fazendo galhofa de seus processos criminais, enquanto o Supremo Tribunal Federal faz de conta que os prende. O Brasil está nu e as ruas estão vazias. Não foi preciso uma revista Playboy para tirar a roupa e mostrar o corpo horroroso desse país apodrecido pela sem-vergonhice. É fato, no Brasil a política se sobrepõe ao Direito e À Justiça – Às leis! O que fazer? Pegar em armas? Como fizeram quase todos os povos do mundo, quando precisaram montar uma nação digna de se viver! O que fazer, essa é a pergunta?

Quando a gente acha que avançou, como foi o caso, tem 25 anos, do pé na bunda dado naquele depravado de Alagoas, descobrimos que o país está ainda pior, e de que a corrupção só aumentou e de que a lei não funciona quando os crimes envolvem senadores, deputados e outros safados de igual talante. Aquela figura satânica, oriunda da medieval Alagoas, que tem pacto com o demônio, que matou parte de sua família, continua dando as cartas, com mandato de senador e, pior, secundado por outro conterrâneo ladrão, que responde a dezessete inquéritos no STF – os dois continuam impunes, roubando e rindo da miséria do povo. O que fazer pra não pegar em armas?

Quando meus amigos me perguntam qual peça ou personagens de Shakespeare mais se ajustam ao que está acontecendo com o Brasil no momento, eu respondo que Júlio César, Tróilo e Cressida e Macbeth são as mais adequadas para explicar o mundo sombrio em que o Brasil está mergulhado. Mas neste exato momento, o reino de Macbeth está vigorando.

Não vou contar a história da peça Macbeth, rei da Escócia. Vou contar apenas um curto diálogo entre Macduff.e Ross. Macduff havia fugido para a Inglaterra, com medo de ser assassinado pelo tirano Macbeth, que havia matado o rei Duncam, e se apossado do trono. Ross vem trazer-lhe notícias das desgraças que fora acometida à nação. É como se estivéssemos no Brasil. Vejam!

“Macduff – A Escócia se encontra onde estava”?

“Ross – Ai. Pobre pátria. Mal se conhece a si mesma! Não podemos chamá-la de nossa mãe, mas de nosso túmulo, onde só riem aqueles que nada sabem: em que os lamentos, os gemidos, os gritos que ecoam no ar passam despercebidos; em que dores violentas são consideradas sofrimentos banais. O dobre de finados soa sem que se pergunte por quem e a vida dos homens de bem expiram antes que as flores murchem, sem que tivéssemos adoecido”.

“Malcolm – Qual foi a mais recente desgraça”?

“Ross – A que data de uma hora já é tão antiga que apupam quem a anuncia, pois, de minuto em minuto, uma nova é gerada.”

Quero me apegar a essa sentença: “Qual foi a mais recente desgraça?”. Ou seja, qual foi o último crime, o último roubo bilionário descoberto? É isso que vemos todos os dias nos veículos de comunicação: o Brasil penetrou no mundo das trevas, da roubalheira, da sem-vergonhice, da falta de caráter e do cinismo. Nossos dirigentes estão mergulhados até o pescoço na ladroagem. E assim, a toda hora somos surpreendidos por descobertas de saques e mais saques aos cofres públicos. Seja na Copa do Mundo, nas Olimpíadas, tribunais, construção de estradas, hospitais, escolas em todos os lugares se rouba. “Milhafres do inferno” para usar uma expressão em Macbeth.

O que fazer para não pegar em armas? Shakespeare tem sido meu consolo, meu freio, minha consciência para não perder a cabeça! Sou um indignado, e escrevo para dizer ao povo brasileiro para que acorde e lute contra a depravação que tomou conta do Brasil. Qualquer um que não se revoltar e fizer algo contra esse estado de coisas é cúmplice da morte dos milhares e milhares de brasileiros que morrem nas portas dos hospitais públicos por falta de atendimento. Consequência do roubo descarado e do cinismo desses ladrões engravatados de ar venerável.

O que fazer para não pegar em armas? Talvez o sinal de que algumas luzes já brilham no país, e alguns desses canalhas já estão vendo o sol nascer quadrado. Shakespeare nos diz que: “Não há longa noite que não encontre dia”.