O Mal que vem da Coréia do Norte

Não tenho como deixar de sentir calafrios quando vejo a Coréia do Norte com seu ridículo ditador e uma bomba de Hidrogênio. Qualquer um que já tenha lido sobre as duas guerras mundiais sabe do que estou falando. O passado recente nos mostra o quanto uma conjugação de governantes fracos pode ser determinante para desencadear uma tragédia. Assim, quando vemos os Estados Unidos da América governados por um presidente totalmente despreparado, além de destemperado; a Rússia controlada por um Czar, capaz de qualquer coisa para destruir os EUA – ele, inclusive, já interferiu nas últimas eleições americanas – e recuperar o título de grande potência; uma China em rápida ascensão, querendo  o primeiro lugar no pódio, utilizando o inseto coreano para provocar os EUA e a Rússia; um Japão amedrontado; uma Coréia do Sul desesperada por uma interferência americana; por fim, todos pautados por um caricato tiranete balofo criado pela Rússia para provocar o ocidente. Eis aí uma combinação perigosíssima para a humanidade.

Vamos agora voltar no tempo,  para 1914, e observar o quadro da época. A Alemanha era governada por um homem recalcado, o imperador Guilherme II, que iniciou uma corrida armamentista, para adquirir paridade com a Inglaterra que ele invejava e odiava. A Inglaterra, a maior potência mundial da época, era soberana nos mares, de onde controlava seu império. A Áustria, ou império austro-húngaro, controlava um simulacro de nações da região dos Bálcãs, que viviam em meio a revoltas e guerras de ódio; a Rússia, estava em meio ao caos, e a dinastia Romanov, do fraquíssimo Czar Nicolau II, estava no fim; os EUA descansavam em seu isolamento; A França vivia às turras com a Alemanha, e estava louca para se vingar da derrota na Guerra Franco-Prussiana, de 1871; no meio disso tudo, havia um pequeno país sem importância que tinha raiva de todos e queria se vingar dos austríacos: a Sérvia. E assim foi feito, no dia 28 de junho de 1914, um jovem pertencente a uma seita, “Mão Negra”, assassinou Franz Ferdinand, o herdeiro do trono do império austríaco. Em dois meses, dois loucos irresponsáveis, Guilherme II e o octogenário Franz Josef, imperador da Áustria, resolveram destruir a Sérvia. Pronto, deu-se o início a uma carnificina mundial que durou mais de quatro anos. No fim, vinte milhões de pessoas estavam mortas, a Europa destruída e quatro impérios ruíram: Russo, alemão, austro-húngaro e turco-otomano.

Em 30 de janeiro de 1933, o cabo do exército Adolf Hitler assume como primeiro-ministro da Alemanha.  Hitler, que não era levado a sério, que começara sua carreira de líder do partido nazista em 1924, tinha prometido ao povo alemão que iria vingar a Alemanha da derrota na Primeira Guerra Mundial. Durante todo esse período, em que Hitler discursava, crescia e destilava ódio, Winston Churchill, parlamentar britânico, vinha alertando a Inglaterra e ao mundo sobre o perigo que Hitler e a Alemanha representavam para a humanidade. Ninguém lhe deu ouvidos, rechaçado como “provocador”, suas opiniões foram desprezadas. Em 1938, Neville Chamberlain, o ingênuo – no maior mico do século XX – primeiro-ministro da Inglaterra, arrancou um “acordo de paz” com Hitler, após esse invadir e massacrar a Tchecoslováquia. Assim, a combinação do governo fraco da  Inglaterra; a covardia da França, que recusou-se a lutar; ; o fascismo doentio da  Itália de Mussolini, aliado de Hitler; o militarismo exacerbado do Japão que invadira a China, procurando desesperadamente por espaço vital; a depravação do tirano russo Stalin, que assinara o chamado pacto de aço com a Alemanha e o isolacionismo dos EUA, permitiram que a Segunda Guerra Mundial ocorresse.

Tivessem os cegos líderes das potências da época agido antes, parado Hitler, impedido o rearmamento da Alemanha, não teríamos tido a catástrofe, que deixou 70 milhões de mortes e o mundo devastado. O mundo costuma flertar com a desgraça  de tempos em tempos. Deus me livre de estar sendo “uma Cassandra” nesse momento. Só espero que, agora, com um mundo mais maduro, interligado 24 horas, possamos chegar logo a um acordo de paz. Até porque, dessa vez a coisa é muito mais séria, não se trata de uma mera bomba, mas da própria existência da raça humana. Digo isso sem exagero ou catastrofismo. Quem conhece, sabe o que estou dizendo. Que venha a paz!

O Brasileiro está cansado

O povo brasileiro está cansado, muito cansado de ser roubado, e sabe que tudo já foi dito e pouco foi feito para prender os ladrões encastelados no Estado brasileiro. Ladrões com títulos de deputado, senador, governador, juiz, procurador, ministro, o Presidente da República etc. continuam fazendo galhofa de seus processos criminais, enquanto o Supremo Tribunal Federal faz de conta que os prende. O Brasil está nu e as ruas estão vazias. Não foi preciso uma revista Playboy para tirar a roupa e mostrar o corpo horroroso desse país apodrecido pela sem-vergonhice. É fato, no Brasil a política se sobrepõe ao Direito e À Justiça – Às leis! O que fazer? Pegar em armas? Como fizeram quase todos os povos do mundo, quando precisaram montar uma nação digna de se viver! O que fazer, essa é a pergunta?

Quando a gente acha que avançou, como foi o caso, tem 25 anos, do pé na bunda dado naquele depravado de Alagoas, descobrimos que o país está ainda pior, e de que a corrupção só aumentou e de que a lei não funciona quando os crimes envolvem senadores, deputados e outros safados de igual talante. Aquela figura satânica, oriunda da medieval Alagoas, que tem pacto com o demônio, que matou parte de sua família, continua dando as cartas, com mandato de senador e, pior, secundado por outro conterrâneo ladrão, que responde a dezessete inquéritos no STF – os dois continuam impunes, roubando e rindo da miséria do povo. O que fazer pra não pegar em armas?

Quando meus amigos me perguntam qual peça ou personagens de Shakespeare mais se ajustam ao que está acontecendo com o Brasil no momento, eu respondo que Júlio César, Tróilo e Cressida e Macbeth são as mais adequadas para explicar o mundo sombrio em que o Brasil está mergulhado. Mas neste exato momento, o reino de Macbeth está vigorando.

Não vou contar a história da peça Macbeth, rei da Escócia. Vou contar apenas um curto diálogo entre Macduff.e Ross. Macduff havia fugido para a Inglaterra, com medo de ser assassinado pelo tirano Macbeth, que havia matado o rei Duncam, e se apossado do trono. Ross vem trazer-lhe notícias das desgraças que fora acometida à nação. É como se estivéssemos no Brasil. Vejam!

“Macduff – A Escócia se encontra onde estava”?

“Ross – Ai. Pobre pátria. Mal se conhece a si mesma! Não podemos chamá-la de nossa mãe, mas de nosso túmulo, onde só riem aqueles que nada sabem: em que os lamentos, os gemidos, os gritos que ecoam no ar passam despercebidos; em que dores violentas são consideradas sofrimentos banais. O dobre de finados soa sem que se pergunte por quem e a vida dos homens de bem expiram antes que as flores murchem, sem que tivéssemos adoecido”.

“Malcolm – Qual foi a mais recente desgraça”?

“Ross – A que data de uma hora já é tão antiga que apupam quem a anuncia, pois, de minuto em minuto, uma nova é gerada.”

Quero me apegar a essa sentença: “Qual foi a mais recente desgraça?”. Ou seja, qual foi o último crime, o último roubo bilionário descoberto? É isso que vemos todos os dias nos veículos de comunicação: o Brasil penetrou no mundo das trevas, da roubalheira, da sem-vergonhice, da falta de caráter e do cinismo. Nossos dirigentes estão mergulhados até o pescoço na ladroagem. E assim, a toda hora somos surpreendidos por descobertas de saques e mais saques aos cofres públicos. Seja na Copa do Mundo, nas Olimpíadas, tribunais, construção de estradas, hospitais, escolas em todos os lugares se rouba. “Milhafres do inferno” para usar uma expressão em Macbeth.

O que fazer para não pegar em armas? Shakespeare tem sido meu consolo, meu freio, minha consciência para não perder a cabeça! Sou um indignado, e escrevo para dizer ao povo brasileiro para que acorde e lute contra a depravação que tomou conta do Brasil. Qualquer um que não se revoltar e fizer algo contra esse estado de coisas é cúmplice da morte dos milhares e milhares de brasileiros que morrem nas portas dos hospitais públicos por falta de atendimento. Consequência do roubo descarado e do cinismo desses ladrões engravatados de ar venerável.

O que fazer para não pegar em armas? Talvez o sinal de que algumas luzes já brilham no país, e alguns desses canalhas já estão vendo o sol nascer quadrado. Shakespeare nos diz que: “Não há longa noite que não encontre dia”.