A Seleção Brasileira do STF

Alguém disse que ninguém sabe o nome dos onze jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, mas que todo mundo sabe o nome dos onze juízes do Supremo Tribunal Federal. Verdade! Foi-se o tempo em que as novelas da Rede Globo, os filmes americanos e os jogos de futebol eram as principais atrações da televisão brasileira! Hoje, eles têm um forte concorrente: os julgamentos do STF, que ocorrem quase todos os dias. Três horas da tarde está todo mundo ligado, mergulhado na Internet, para assistir a mais um “jogo” do  STF X Sociedade. As pessoas não estão mais querendo saber somente de diversão: historinhas de amor, beijo na boca, fofoca de vizinho, a centésima tatuagem do Neymar, Odete Roitman! Elas querem ver o real, ações que que vão afetar diretamente suas vidas tão difíceis. Elas querem ver o que os onze jogadores do time do STF vão decidir em seus duelos verbais, ininteligíveis para a maioria delas.  Querem saber se a vida vai melhorar nesse país de ladrões em que o dinheiro delas é surrupiado. Daí, que os julgamentos do STF se tornaram um espetáculo como futebol e novela. O amor pela Seleção já não é mais o mesmo depois da “chibatada” de 7 x1 da Alemanha. Hoje, parte dos brasileiros enxergam os ministros do STF como jogadores de futebol.

 

Todo mundo conhece os onze atletas do Supremo e sabem mais ou menos como eles se comportam em campo! Assim, cada ministro corresponde a um jogador! Observamos que o mais amado pela torcida é o veterano Celso de Mello, visto como o craque do time.  Tem nome de goleador e, mesmo que, aqui acolá, faça firula, é o melhor jogador da equipe. É um dos poucos que a torcida pede autógrafos. Já o jogador mais famoso, e bastante talentoso, é Gilmar (mesmo nome do saudoso goleiro) Mendes, uma espécie de Luiz Fabiano. É catimbeiro, desagregador, briga com os colegas, é “fominha”, e faz o jogo do adversário, revoltando a torcida. Gilmar é ponta-direita, só joga por esse lado, raramente faz uma incursão pela esquerda. E faz tabelinha com seus companheiros Toffoli e Lewandowsky (não confundir com o Lewandowsky, jogador da Alemanha). Gilmar é o tipo de jogador que faz gol contra e ainda dá banana pra torcida. Briga dentro e fora de campo. Está se lixando para os torcedores e comentaristas. É detestado por todos. Só encontra apoio no time adversário. Virou um problema pra equipe!

 

O segundo mais conhecido é Marco Aurélio, se acha o “rei da cocada preta”, vaidosíssimo, parece o Neymar no início da carreira. Joga pra plateia, faz uma jogada e olha para as arquibancadas. O resultado da partida não tem qualquer importância para ele. O que importa são seus dribles. Ninguém o entende. Temos um “polonês” no time, Lewandowsky, um “pé de chumbo”, jogador fraco, totalmente apagado em campo. Nunca fez um gol sequer. E temos, como não poderia deixar de ser, todo time tem um, “perna de pau”: Tofolli.  Perdido em campo, não sabe se joga pela direita ou pela esquerda, como se não soubesse o que está fazendo ali, só joga quando Gilmar lhe passa a bola. E como Gilmar não está nem aí pra sua equipe e pra torcida….  Tofolli é jogador de time da segunda divisão. É o pior jogador da Seleção do STF. A torcida e a crônica esportiva já pediram sua cabeça. Aí vem Luiz Fux, que joga no meio de campo, carioca, pinta de Oscar, está sempre por ali, joga com regularidade, mas parece ainda não ter conquistado plenamente a torcida. Mas tem feito belos gols. Roberto Barroso está firme no time, demonstra bastante conhecimento em campo, é uma espécie de Nilton Santos, a enciclopédia do futebol, é muito admirado pela torcida. Joga no ataque e é goleador. Tem o Edson Fachin, fechadão, se firmando no escrete, é “ladrão de bolas”, faz jogadas difíceis, e é excelente driblador. Como o time é misto, a capitã é uma mulher, Carmen Lúcia, discreta, firme na sua posição, praticamente joga no gol, é a goleira, tem feito belas defesas, mesmo nessa fase difícil do campeonato. Tem o respeito da torcida. Já Rosa Weber, atua na defesa, e de vez em quando vai para o ataque, sobe e faz gols. É uma jogadora “na dela”. E, por último, o novato, o carequinha, com cara de jogador da Rússia, Alexandre de Morais. Até agora só fez um gol. Deu algumas bolas difíceis e ainda não recebeu aplausos da torcida. É uma incógnita no time. Mas pode surpreender.

 

O que o povo brasileiro espera da equipe do STF é que ela ofereça vitórias em suas partidas memoráveis, trazendo alegrias para a sociedade tão sofrida. Somente uma firme atuação em cada evento esportivo, “suando a camisa” com honra, dando suor e sangue será possível vencer a corrupção, hoje uma metástase na administração pública do Brasil. Não exigimos uma Seleção de 70, uma de 1992 já será suficiente. É isso aí!

A Liga dos Cabeças Brancas

Esse artigo ia se chamar O Canalha da Cabeça Branca. Um excelente título, no entanto, acabei mudando-o, porque lembrei do conto de Sherlock Holmes, A Liga dos Cabeças Vermelhas! Fã apaixonado que sou, como quase todo mundo – são sessenta contos (quatro são consideradas novelas) – pelo  genial detetive inglês, conterrâneo de Shakespeare, não poderia deixar essa oportunidade passar em branco. Decidi parodiar esse título, porque é uma história sobre ladrões. E como o Brasil é um país de ladrões…Tem enredo melhor: corruptos brasileiros fazendo parte de uma trama de Sherlock Holmes! Legal, não é mesmo?

A Liga dos Cabeças Vermelhas é um dos melhores e mais originais contos policiais de Sherlock Holmes. Trata-se do seguinte: dois pilantras resolvem roubar um banco. A melhor forma é cavando um túnel a partir uma pequena loja ao lado, de propriedade de um ingênuo comerciante, famoso por ter o cabelo vermelho, de tão ruivo que é. O problema era como afastar o comerciante da propriedade, que além de tudo lá residia! Foi então que eles tiveram a ideia de criar a Liga dos Cabeças Vermelhas. Já que um dos ladrões também tinha o cabelo vermelho. E inventaram a seguinte história: um rico comerciante morrera e deixara uma herança para cinco homens nascidos na Inglaterra que tivessem o cabelo tão vermelho quanto o dele. Resultado: no dia seguinte, filas enormes se formaram na porta do escritório dos pilantras. O objetivo foi atingido: o senhor Jabez Wilson, o tolo comerciante, “foi o escolhido”. Seu bem remunerado emprego era muito simples, tinha que passar oito horas no local de trabalho copiando a Enciclopédia Britânica. E que não se ausentasse um minuto do local, o escritório dos golpistas. Assim, enquanto O Cabeça Vermelha copiava a enciclopédia, os ladrões cavavam o túnel. É então que aparece Sherlock Holmes e deslinda o caso, pegando os ladrões literalmente com a mão na massa. Resultado, os ladrões são presos e A Liga dos Cabeças Vermelhas é desfeita.

O pior canalha é o da cabeça branca, pois tem ares de venerável! É mais que natural, achar que as pessoas, a medida que envelhecem, vão aprimorando seu caráter, corrigindo arroubos da juventude e agindo com mais correção e responsabilidade, num processo natural de amadurecimento, até mesmo porque já são agora pais, avós e bisavós. E é preciso dar exemplos aos seus descendentes queridos, ou seja, à família. Deveria ser assim, e é na maioria das sociedades que nos cercam. No Brasil há um grupo diferente. Observamos que, aqui, quanto mais velhos nossos homens públicos ficam, mais sem-vergonhas eles se tornam! Pelo menos é isso que estamos vendo no Brasil atual. Quanto mais cabelos brancos ele tem, mais safado ele é. É como se cada fio de cabelo embranquecido aumentasse sua depravação. Claro que não são todos. Mas o percentual é elevadíssimo. Lembro que na antiga União Soviética, antes da subida de Mihail Gorbatchev, a imprensa internacional chamava o governo russo de gerontocracia. Podemos dizer o mesmo com Brasil de hoje! Somos governados por um bando de velhos corruptos! Olhem para eles! E são poucos os Cabeças Pretas a se revoltarem contra esses safados!

Vejamos a quadrilha que compõe o governo atual: um bando de sem-vergonhas septuagenários, mentirosos apoiados por outros safados octogenários de fora do governo, que desfrutam de benesses para eles ou seus filhos e netos, mentindo e emitindo opiniões em defesa da quadrilha, amparados num juridiquês fajuto. Muitos desses calhordas ostentam uma calvície, ou mesmo uma careca, que escondem os cabelos brancos que já se foram. Pomposos, cheios de argumentos falaciosos, eles defendem a quadrilha instalada no governo. Denomino-os de a Liga dos Cabeças Brancas. Uma quadrilha que está acabando com o Brasil, chefiada por um cabeça branca completamente desmoralizado.

A Liga dos Cabeças Vermelhas, da Inglaterra, foi destruída por Sherlock Holmes, o maior detetive de todos os tempos! Pergunto agora: quem vai desmontar a Liga dos Cabeças Brancas do Brasil? Com a palavra, os Cabeças Pretas do Brasil!

Sobre Canalhas

O dicionário Caldas Aulete define canalha como: “Sujeito que tem mau caráter, vil, desprezível, infame, reles, moral e socialmente desprezível”. Como podemos ver, são adjetivos devastadores! Mas, eu diria que ainda é pouco para definir o caráter dos canalhas brasileiros. “Olhai a vossa volta”! Vejam o que eles estão fazendo com o Brasil! Pergunto: será que os canalhas brasileiros podem ser classificados com esses pobres adjetivos? Será que esses adjetivos são suficientes? Digo que não. Um canalha é bem mais que isso, é mentiroso, safado, sórdido, farsante, depravado, pervertido, cara de pau, além de ladrão, é claro. E canalha é a única palavra capaz de abarcar o caráter desses depravados. Eu gosto da palavra depravado, para complementar o adjetivo canalha. Todo canalha é depravado. E estamos cercados deles.

Vai ser preciso visitar meu mestre William Shakespeare para penetrar na alma desses pervertidos que tomaram conta do Brasil. Antes de Shakespeare, é preciso citar Samuel Johnson, carinhosamente conhecido como Dr. Johnson, o maior dos ensaístas em língua inglesa e eminente Shakespeariano. É dele a mais célebre sentença sobre Canalhas. Diz ele “O nacionalismo é o último refúgio dos canalhas”. Essa sentença é repetida a exaustão, e no mundo todo. O Dr. Johnson estava se referindo aos políticos do século XVIII, que se escondiam atrás do patriotismo, uma praga dos séculos XVIII e XIX, para defenderem suas nefastas bandeiras. Ou seja, para justificar seus crimes, eles diziam que estavam agindo em interesse do estado, da nação. Nós sabemos o que o nacionalismo/patriotismo gerou em seguida: guerras e mais guerras, entre elas a denominada Primeira Guerra Mundial. Uma catástrofe inimaginável.

No Brasil, os canalhas estão em todos os lugares, em especial nos três poderes da República, e em grande abundância. Eles estão exterminando nosso passado, presente e futuro, e construindo o deles por intermédio de roubo descarado – outra característica do canalha, o descaramento – de dezenas de bilhões de reais dos cofres públicos. Uma minoria, fazendo canalhices, que está destruindo a vida e os sonhos dos outros 200 e poucos milhões de brasileiros. Haja canalha! Como diz um ditado popular “É canalha saindo pelo ladrão”. De tanto que se lambuzaram.

A obra de Shakespeare tem muitos canalhas. Quase todos eles envolvidos com o poder político. Ambiciosos, carreiristas, sanguinários, usurpadores iguaizinhos aos nossos canalhas que estamos sendo obrigados a engolir. É na monumental Hamlet, que encontramos o jovem príncipe dinamarquês falando de seu tio e rei da Dinamarca, o usurpador e assassino, Cláudio, dizendo que “É possível rir, rir e ser canalha”. Cláudio é igualzinho aos canalhas que vemos todos os dias nos jornais, mentindo e dando risada.

Talvez o maior canalha da obra do bardo seja Edmundo, em Rei Lear, que se torna amante das duas filhas perversas e desnaturadas do velho rei. Eles enlouquecem Lear e o matam, para se apossar do trono da Bretanha. Fazem misérias, mas não conseguem o objetivo. Shakespeare os mata antes. Ângelo é outro canalha que governa por pouco tempo a cidade de Viena. Seu puritanismo é destruidor. É afastado e desmoralizado publicamente. Em Júlio César, temos Cássio, invejoso e ambicioso, que envenena a alma de Brutus e mata o grande César, levando Roma a guerra civil. Também não chegou lá. Teve que suicidar-se para não ser morto.

Shakespeare pune todos canalhas presentes em sua obra imortal. No quinto ato, ele põe todos eles no palco, quase sempre perante os justos, e faz com que eles paguem por seus crimes. Seja com prisão, ou morte. Exatamente o que esperamos que aconteça com os canalhas brasileiros. Quando um Presidente da República diz que um canalha, seu amigo, correndo com uma mala de dinheiro roubado do meio da rua é “um rapaz de boa índole, de muita boa índole”, vemos que esse artigo não é exagerado. É isso!