Donald Trump, um louco assusta o mundo

“Uns nascem grandes, alguns adquirem a grandeza e a outros a grandeza vem ao encontro”.  A sentença de Shakespeare,  em Noite de Reis, cabe bem em Donald Trump. Ele, nasceu milionário, com dinheiro para fazer o que bem quisesse. Enveredou pelo mundo imobiliário e virou bilionário, dono de um pedaço de Nova York e empreendimentos espalhados pelos EUA. Daí, resolveu virar celebridade, tornando-se uma figura folclórica, falando bobagens e trocando de mulheres. Depois pulou para o mundo dos chamados “Reality Shows” – espetáculos de televisão em que um bando de pobres coitados fracassados são trancados em uma casa e obrigados a desnudarem toda a sua frustração para uma outra cambada de idiotas que procuram um espelho para sua própria idiotia. Pois muito bem, na terra da Sociedade do Espetáculo, Trump, com seu círculo de horrores, encontrou o seu mundo. Encantou os EUA.

Feliz, cercado de imbecis, quis mais, resolveu ser Presidente dos Estados Unidos e, naquilo que a princípio parecia uma piada, não é que “colou”. Esse “Jackass”, babaca, encontrou quem concordasse com sua estupidez, e se firmou candidato. Virou uma ameaça que pode “chegar lá. Nunca, em toda história dos EUA, alguém que não tenha saído de um dos dois partidos que dominam os EUA, Democrata e Republicano, conseguiu ser candidato e disputar Presidência do país para valer. Trump parece ser o primeiro. Dificilmente, ele não será o opositor de Hilary Clinton, do Partido Democrata. Os Republicanos estão desesperados, o aventureiro bravateiro, que eles estavam usando – do mesmo jeito que os políticos alemães pensaram de Hitler – engoliu os políticos tradicionais e está fazendo um estrago enorme no ninho dos conservadores.

E”bota” conservadores nisso! Trump está fazendo mais: está desnudando a América. Toda a sua verborragia fascista, que é falada a “boca pequena” pelo povo americano encontrou eco. Trump ataca abertamente negros, latinos, mexicanos, muçulmanos, mulheres e tudo aquilo que é chamado de “minorias”. É o inimigo número um do politicamente correto. Assim, já prometeu construir um muro na fronteira com o México, expulsar os imigrantes e impedir a entrada de muçulmanos no país. Suas declarações e discursos são um amontoado de disparates cheios de ódio e de desprezo por tudo aquilo que não seja “a alma da América”, a América para os americanos.

Trump conseguiu até mesmo declarações desfavoráveis do adorável Papa Francisco; de  David Cameron, que o chamou de estúpido e do governo chinês que também  o chamou de racista  e outros adjetivos terríveis. Trump é claramente fascista, como Hitler ou Mussolini, sem exagero.

Mas não para boa parte do povo americano. Trump despertou o que há de pior na alma americana, ao ponto de assustar até mesmo os Republicanos. Tudo de ruim que estava enterrado nos corações dos republicanos e impedido de sair por conta do espírito de justiça que vige entre eles, estourou e ganhou a TV, as ruas e convenções partidárias. A violência já está presente. Trump não conseguiu discursar em Chicago, berço de Obama, nem em Washington, onde a prefeita é uma mulher negra, onde ocorreram brigas e violência. Persistindo em sua onda de ódio – defende que as pessoas portem armas, como se porta celulares –, os seguidores de Trump poderão brevemente nos propiciar um daqueles espetáculos bastante comuns nos EUA: um massacre. Não está difícil aparecer um maluco com um rifle e detonar uma convenção republicana. Os republicanos sabem disso e tentam uma saída. Mas está difícil.

Está em Hamlet que “A loucura dos grandes deve ser vigiada”. A loucura de Donald Trump é perigosa para a humanidade. Seu comportamento de Coriolano — personagem de Shakespeare que desprezava as massas – tem um enorme potencial destrutivo, e sua loucura precisa ser detida. Quanto a isso, não tenho dúvidas. Hilary Clinton o derrotará nas urnas. No fim, Trump servirá para mostrar ao povo americano o quanto de ódio represado existe em seus corações. Shakespeare achava que vilões também servem para isso. Fora com Donald Trump e viva o pato Donald!