Eduardo Cunha, nosso Macbeth

O deputado Eduardo Cunha é um vilão Shakespeariano. Confesso que há muito tempo não via um sujeito, um político, com características tão nítidas de perverso quanto esse parlamentar que produz calafrios no governo e apavora os homens de bem. A sentença de Shakespeare, em Macbeth “As múltiplas vilanias da natureza enxameavam nele”, aplica-se inteiramente ao atual presidente da Câmara dos Deputados. Tenho observado todos os seus movimentos, e posso garantir que se trata de um homem perigosíssimo, dotado de uma capacidade de fazer o mal realmente impressionante e que precisa ser detido urgentemente.

Encontro Eduardo Cunha em várias peças de Shakespeare. No rei Cláudio, o usurpador assassino, em Hamlet; no cruel Ricardo III; no insensível Edmundo, em Rei Lear. Todos eles figuras ambiciosas sem regras morais. Mas é Macbeth a personagem que se encaixa perfeitamente em nosso presidente da câmara. É como se Shakespeare tivesse escrito a peça pensando nele.

Depois que as bruxas prognosticaram que o barão Macbeth seria rei da Escócia, ele, em combinação com sua mulher, cheios de ambição, resolvem matar o bondoso rei Duncan, que se hospedara em seu Castelo. Feito o ato, Macbeth é coroado rei, e daí pra frente, dotado de prepotência e crueldade, cria uma rede de espiões, e passa a matar todos aqueles que estão em seu caminho. Sentia-se seguro, já que as bruxas tinham dito que ele só seria derrotado se a “floresta de Birnam subir a colina”. Algo impossível de acontecer. Pois bem, os exércitos de seus inimigos cortaram os galhos das árvores e cobriram suas cabeças com eles, e marcharam escondidos pela noite. O bosque de Birnam subiu a colina.

Macbeth é uma peça sobre a ambição desenfreada. Lady Macbeth, a esposa do tirano, pede a forças sobrenaturais, sabe-se lá de onde: “Faca com que meu sangue fique mais espesso; feche em mim todo o acesso, todo caminho à piedade, para que nenhum escrúpulo compatível com a Natureza possa turvar meu propósito feroz, nem possa interpor-se entre ele e a execução”. E contemplando seu marido que acabara de matar o rei Duncan, dispara: “Teu rosto, meu barão, é um livro em que os homens podem ler estranhas coisas… Para enganar o mundo é preciso ser semelhante ao mundo”.  E recomenda “Porém sê a serpente que se esconde debaixo de uma flor”. E Macbeth, iniciando sua trajetória, diz: “Tu, terra firme e sólida apaga meus passos”.

Eduardo Cunha, o político que “não deixa digitais”, segundo a imprensa, começou sua carreira na época do sinistro desgoverno Collor. Seu celular é talvez o primeiro criptografado do Brasil. Ninguém o grava. É filiado a três igrejas para-pentecostais no Rio de janeiro. Controla uma bancada individual, que, dizem, chega a quase setenta deputados. É inacessível na condição de Presidente da Câmara Federal. Ninguém chega nele. Não tem qualquer remorso em destruir servidores ou parlamentares que não façam o que ele manda, ou que ousam contrariar sua tirania. Quebra acordos com quem bebe água. Processou todos os jornalistas que disseram coisas que ele não gostava.

Hoje é acusado pelo MP de usar “deputados laranjas” para achacar empresas em troca de propina, para pagar campanhas eleitorais desses deputados. Seu poder repousa nesse dinheiro. Eduardo comporta-se como se o país não tivesse instituições, poder executivo, ministério público… E tem tentado enfraquecer o Supremo Tribunal quando votou a PEC da bengala – junto com Renan Calheiros, o barão medieval das Alagoas – para mostrar que ele pode mexer no STF.

A floresta de Birnan de Eduardo Cunha já está a caminho. A encrenca dele é grande. Numa obra prima de vilania, constituiu o ex-procurador geral da república Antônio Fernando de Sousa como seu advogado. Não há nada melhor para enfrentar o atual procurador geral do que o ex-procurador geral. Eduardo tem um inquérito aberto contra ele por Rodrigo Janot. E daí que ele tem tentado repetidamente desmoralizar Janot, dizendo que esse o persegue. Ao tentar desmoralizar Janot, ele compra uma briga com  a instituição mais corporativa do país. Os procuradores não vão aceitar que humilhem seu chefe e colega. Eduardo Cunha vai perder essa guerra. Mesmo porque as provas contra ele são robustas, irrefutáveis, e ele não pode ser maior do que o estado de direito.

O destino de Eduardo Cunha é o mesmo de Macbeth “O outono de minha vida está declinando em direção do outono de folhas amarelas e tudo quanto sirva de escolta à velhice não devo procurar tê-los, em troca virão maldições recalcadas…”.

É o que espero!

Os Fascistas e as Marionetes

 

Quase nunca recorro à filosofia para justificar meus argumentos. Primeiro, porque conheço pouco de filosofia e, segundo, porque encontro na obra de Shakespeare conhecimento mais do que suficiente para abastecer meus textos sem precisar recorrer a Platão e Kant. No entanto, dessa vez, vou usar a dialética de Hegel – um admirador de Shakespeare – para falar sobre algo que está ocorrendo na política brasileira. A dialética de Hegel é óbvia, por isso genial. Para Hegel, uma coisa não pode existir sem o seu contrário, ou seja, as coisas não podem existir sem as outras. Daí que, para existir um escravo tem que haver um senhor; para existir patrão, tem que ter um empregado.

Então, vamos lá. As estatísticas afirmam que algo em torno de 10% do eleitorado brasileiro é de extrema direita, aproximadamente catorze milhões de eleitores, o suficiente para eleger cinquenta deputados federais. É um eleitorado que está disponível esperando que alguém o colha.

A extrema direita defende mais ou menos o seguinte: a pena de morte, que a sociedade deva andar armada, não ao auxílio financeiro para presos, prisão para menores acima de catorze anos. É contra o sistema de cotas, direitos das minorias,  programas assistenciais, vale gás, vale luz, e outros benefícios. Para resumir, é a “bancada da bala” – não somente por receber financiamento de fabricantes de armas, mas pelo extremo conservadorismo  – aqueles que dizem que “bandido bom é bandido morto”, paródia do slogan do velho oeste americano “um índio bom é um índio morto”.

A maioria desses parlamentares são policiais e militares, radialistas e evangélicos para-pentecostais. O representante mais famoso deles é o capitão do exército Jair Bolsonaro, do Rio de Janeiro, que já formou uma dinastia, tem um filho deputado estadual pelo Rio e outro deputado federal por São Paulo. A lista segue com Coronel Telhada, Alberto Fraga, Laerte Bessa, Pastor Marco Feliciano, Rogério Mendonça e outros.

Pois muito bem, todos esses parlamentares têm procurado antagonistas – provando a tese de Hegel – deputados que pensem o oposto deles. O que também não significa que os extremamente liberais não os chamem para a briga. Para isso, vale todo tipo de baixaria, chegando quase à agressão física. Assim, todos os holofotes da mídia vão para cima deles.

Jair Bolsonaro (DEM-RJ) escolheu Maria do Rosário (PT-RS e Jean Wyllys (PSOL-RJ) como seus contrários. Marco Feliciano PTB-SP também tem como antagonista Jean Willys. Alberto Fraga (DEM-DF) escolheu  Jandira Feghali (PCdoB-RJ). O ringue está formado. A extrema direita contra à esquerda. São duas mulheres e um ativista do movimento gay contra um capitão do exército, um pastor e um coronel da polícia.

Jair Bolsonaro, em discussão com Maria do Rosário, disse que “não estupro você porque você não merece” e vive às turras com Jean Wyllys. Marco Feliciano antagoniza com Wyllys por este fazer a defesa dos gays. Alberto Fraga disse para Jandira Feghali que “mulher que bate em homem tem que apanhar como homem). São declarações truculentas que estão na contramão da sociedade moderna. Mas a imprensa adora. E, nas redes sociais, principalmente facebook, as querelas “bombam” em centenas de milhares de visualizações e grupos de discussão, o sonho de qualquer parlamentar.

Não tenho dúvida alguma de que todas as agressões provocadas por esses parlamentares contra essas deputadas mulheres e contra um deputado homossexual são premeditadas e têm dia e hora para acontecer, e o objetivo é obter mídia e voto. Todos eles multiplicaram, praticamente dobraram suas votações nas eleições seguintes. Não posso deixar de citar o inexpressivo Levy Fidelix, candidato a Presidente da República, que, com sua grosseira declaração sobre os gays, multiplicou por vinte sua votação em relação a eleição anterior. A obscena declaração de Levy foi calculada em detalhes pelos marketeiros!

Este artigo é um recado para os ingênuos que atacam Bolsonaro e suas crias nas redes sociais. Em vez de enfraquecê-los, estão fortalecendo-os. O objetivo desses políticos extremistas é serem chamados de trogloditas, fascistas, nazistas, homofóbicos, misóginos, agressores de mulheres e coisas semelhantes. Querem que o Ministério Público os processe por suas agressões verbais. Eles sabem que os processos não vão dar em nada, no máximo uma multa que eles jamais pagarão. Suas agressões chegarão aos 10% de eleitores (percentual que está crescendo) que os aplaudirão por “enfrentarem os comunas”. Portanto, se querem combatê-los, e isso deve ser feito, façam-no em silêncio. De outra forma. Do jeito que o combate está sendo feito, vocês fazem o jogo deles e transformam-se em marionetes. Um bando de tolos. É isso!

Os 70 Anos da Segunda Guerra Mundial

Sexta-feira, dia 8 de maio de 2015, a humanidade festeja o fim da Segunda Guerra Mundial — o conflito ainda iria até 14 de agosto, no oriente, com os aliados lutando contra o Japão ­— com a rendição incondicional da Alemanha. Durante seis longos anos, mais de cem milhões de soldados combateram num conflito que envolveu os cinco continentes. No final, mais de sessenta milhões de pessoas estavam mortas – não há consenso sobre o número real, que pode chegar a oitenta milhões. Entre os mortos, vinte e sete milhões eram soviéticos. Quem mais sofreu foi a Polônia, que perdeu 15% de sua população. Europa e Ásia estavam devastadas, e dezenas de milhões de pessoas vagavam pelas estradas sem terem para onde ir.

Em 1871, os estados alemães, herdeiros das tribos germânicas que derrotaram o império romano em 476 D.C, finalmente se juntaram, sob o comando de Oto Von Bismarck, chanceler da Prússia e, depois de humilharem a França – vingaram-se de Napoleão que fizera o mesmo com eles setenta anos antes –, na guerra franco-prussiana, criaram uma nação denominada Alemanha. Extremamente organizados,  os alemães trabalharam sob o lema “ferro e sangue”,  montaram os maiores e melhores exércitos e resolveram dominar o mundo, pois esse era “o destino da Alemanha”.

Terra de filósofos, cientistas, músicos e juristas, considerados os melhores do mundo, os alemães, em 1914, estavam tão ricos e equipados quanto o império britânico, fonte de inveja da Alemanha. Assim, seu imperador Guilherme II, um homem recalcado, invejoso, brutal, resolveu encarnar o espírito alemão, cometendo toda sorte de asneiras diplomáticas, criando conflitos com os outros impérios, Russo, Britânico, Turco-Otomano e o Austro-Húngaro. E com este último se aliou, e em vista de um mundo cansado, velho, em que a humanidade flertava com a estupidez, uma guerra foi deflagrada em agosto de 1914, transformando-se na primeira guerra mundial, que deixou um rastro de destruição na Europa, e levou a Alemanha à desgraça, deixando-a de joelhos… e gerou um filho: Adolf Hitler.

Em poucos anos, a Alemanha estava de pé de novo. Seu povo organizado e trabalhador, com o mais alto nível técnico-educacional do mundo – a Alemanha ganhou a maioria dos prêmios Nobel do começo do século – estava preparada para se vingar das “humilhações do Tratado de Versalhes”, que reduzira seu tamanho e a obrigara a pagar pesadas indenizações, penalizando seu povo durante vários anos. Foi quando Hitler, um cabo desempregado de trinta anos de idade, que não estudou,  pintor fracassado, que dormia em albergues e bancos de praça, que ficara cego por um ano durante a guerra, montou  um partido, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, apelidado de Nazista, e prometeu devolver a honra da Alemanha.

“O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui”, diz Shakespeare em sua peça A Tempestade. Frase alguma poderia descrever melhor o que aconteceu com o povo alemão  – com poucas exceções – nos anos que vão de 1933 a 1945. Nasceu ali a máquina mais brutal e assassina da história. Os alemães, denominando-se “arianos”, a “raça superior”, transformaram-se em demônios e resolveram aniquilar a humanidade.

Em primeiro de setembro de 1939, Adolf Hitler mandou invadir a Polônia, e em três semanas, reduziu-a a pó. Em julho de 1940, a Europa estava dominada e escravizada, a França derrotada novamente e Paris virou um prostíbulo alemão. Hitler fez aliança com Japão e Itália para dividir o mundo entre eles. Somente uma nação lutava, a Grã-Bretanha, de Winston Churchill, o homem que disse não a Hitler e Mussolini, e lutou sozinho com os demônios por dois longos anos.

No oriente, o Japão fazia misérias, cometendo atrocidades inimagináveis na China, Coréia, Indonésia, Filipinas e ilhas adjacentes. Na Alemanha, Hitler escravizara doze milhões de europeus, mandara matar os judeus, homossexuais, deficientes, testemunhas de jeová, ciganos, negros e minorias, denominados por ele de escória da humanidade. Milhares de campos da morte foram montados em toda a Europa. Em algum momento de 1942, parecia que o mundo seria governado por satanás!

Como arrogância e estupidez são cegas, o Japão resolveu atacar os Estados Unidos da América, e a Alemanha a União Soviética (Rússia), duas nações incomparavelmente maiores e mais populosas do que elas. Foi o começo do fim! A coragem da Inglaterra, a riqueza da América e os soldados da Rússia colocaram Japão e Alemanha em seu devido lugar. Hitler deu um tiro na cabeça, Mussolini morreu como um porco e os japoneses conheceram o inferno. A paz voltou, a ONU nasceu, surgiu uma nova ordem, e veio a guerra fria. Mas isso já é outra história!